O Banco Central (BC) comunicou ao Ministério Público Federal (MPF) suspeitas de irregularidades no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, três meses antes de a Polícia Federal deflagrar a operação Miragem. O alerta foi feito após o BC identificar que o Digimais inflou em quase dez vezes o valor de cotas de fundos registrado em seu balanço de 2023.
Detalhes do alerta do BC
De acordo com fontes oficiais, o BC detectou discrepâncias nos valores declarados pelo banco em seus demonstrativos financeiros. As cotas de fundos, que deveriam refletir o patrimônio líquido dos investimentos, foram multiplicadas por aproximadamente 10, gerando um valor artificialmente elevado. Essa distorção chamou a atenção dos auditores do BC, que notificaram o MPF em março de 2026, três meses antes da operação policial.
A operação Miragem
A Polícia Federal deflagrou a operação Miragem em junho de 2026 para investigar crimes de gestão fraudulenta e prestação de informações falsas no Banco Digimais. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à instituição. O nome "Miragem" faz referência à suposta ilusão contábil criada pelo banco.
Posição do Banco Digimais
Em nota oficial, o Banco Digimais afirmou ter "compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes". A instituição nega qualquer irregularidade e diz que todos os seus registros contábeis seguem as normas do setor. O banco também informou que está à disposição dos órgãos reguladores para esclarecimentos.
Impacto e próximos passos
A investigação ainda está em fase inicial, e não há indiciamentos formais. O caso levanta questionamentos sobre a fiscalização de instituições financeiras ligadas a líderes religiosos. O BC reforçou que continuará monitorando o mercado e atuando para coibir práticas ilícitas. O MPF deve analisar as provas coletadas pela PF para decidir sobre eventuais denúncias.



