Pianista Laís de Souza morre aos 93 anos no Rio de Janeiro
Pianista Laís de Souza morre aos 93 anos no Rio

A pianista Laís de Souza Brasil, uma das mais importantes intérpretes da música de concerto brasileira e integrante da Academia Brasileira de Música, morreu aos 93 anos no Rio de Janeiro. Segundo comunicado divulgado pela família nesta quarta-feira (24), ela faleceu em 18 de junho de 2026, "cercada pelo carinho de familiares e amigos".

Trajetória de mais de sete décadas

Com uma trajetória artística de mais de sete décadas, Laís dedicou a vida à divulgação da música brasileira em palcos nacionais e internacionais. Reconhecida pela excelência técnica e pela defesa do repertório nacional, levou obras de compositores brasileiros a importantes centros musicais da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina.

Nascida no Rio de Janeiro, em 1933, a pianista revelou seu talento ainda na infância. Aos sete anos, já se apresentava como solista. Formou-se com Medalha de Ouro pela então Escola Nacional de Música e, posteriormente, aperfeiçoou seus estudos em Viena, na Áustria, e em Milão, na Itália, consolidando uma carreira de projeção internacional.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Premiações e reconhecimento internacional

Ao longo da trajetória, recebeu importantes premiações dentro e fora do Brasil. Entre elas está o Harriet Cohen International Award, concedido em Londres e considerado uma das mais prestigiadas distinções da música clássica do século XX. Também foi laureada nos tradicionais concursos internacionais de Bolzano e Vercelli, na Itália, além de conquistar o primeiro lugar em todos os concursos nacionais dos quais participou.

Atuação como solista e divulgação de compositores brasileiros

Como solista, apresentou-se ao lado de importantes orquestras brasileiras e estrangeiras, recebendo reconhecimento da crítica especializada em diversos países. Sua atuação foi decisiva para a divulgação internacional da obra de compositores brasileiros como Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Ernesto Nazareth, Radamés Gnattali e Camargo Guarnieri.

A relação artística com Guarnieri marcou de forma especial sua carreira. Considerada uma das principais intérpretes da obra do compositor, recebeu dele a dedicatória de peças fundamentais, entre elas a Sonata para Piano e o Concerto nº 5 para Piano e Orquestra.

Gravações históricas e estreias

Laís também realizou gravações consideradas históricas, incluindo o ciclo completo dos 50 Ponteios, registro que se tornou referência para estudiosos e intérpretes da música brasileira. Entre os momentos de destaque da carreira está ainda a estreia, no Brasil, da obra "Os Quatro Temperamentos", de Paul Hindemith. Posteriormente, a pianista voltaria a interpretar a composição sob a regência do próprio compositor.

Pesquisadora e membro da Academia Brasileira de Música

Além da atividade como concertista, Laís de Souza Brasil atuou como pesquisadora, conferencista, autora de ensaios e jurada de concursos nacionais e internacionais. Como membro da Academia Brasileira de Música, instituição fundada por Heitor Villa-Lobos, manteve intensa participação na vida cultural brasileira até os últimos anos.

Em nota, a família destacou a dedicação da pianista à arte e à cultura brasileira. "A música não foi apenas sua profissão, mas sua missão de vida. Seu legado seguirá vivo em cada gravação, concerto e memória que ajudou a construir ao longo de décadas", afirmou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar