A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) entrou com um processo contra a Penske Media Corporation, acusando o conglomerado de mídia de promover um boicote ao Globo de Ouro para, posteriormente, adquirir a premiação por um valor reduzido. A ação judicial, revelada pelo site The Ankler, expõe as tensões por trás da venda do evento em 2023 e as controvérsias que ainda cercam a cerimônia.
Boicote e compra sob suspeita
Segundo a HFPA, a Penske Media teria utilizado sua influência para desacreditar o Globo de Ouro após as revelações de falta de diversidade entre os votantes em 2021. Na época, o jornal Los Angeles Times denunciou que não havia nenhum membro negro na associação, gerando críticas e boicotes de estrelas de Hollywood e emissoras de TV. A Penske, dona da Variety e de outras publicações, teria se aproveitado da crise para enfraquecer o valor do prêmio e comprá-lo por meio da Dick Clark Productions em 2023.
O processo alega que a empresa violou leis antitruste e agiu de má-fé. A HFPA busca indenização e a anulação da venda. A Penske Media ainda não se pronunciou oficialmente.
Nova categoria de podcast gera polêmica
Paralelamente, o Globo de Ouro 2025, sob nova administração, tenta recuperar relevância, mas enfrenta novas polêmicas. O site The Ankler revelou que a organização está oferecendo pacotes de parceria de mídia a possíveis indicados à recém-criada categoria de melhor podcast. Por valores entre US$ 25 mil e US$ 75 mil, os participantes teriam acesso a eventos e maior cobertura da revista Variety, do grupo Penske.
Críticos apontam conflito de interesses, já que a Variety é parte do conglomerado que agora controla a premiação. A prática levanta questionamentos éticos sobre a independência do processo de seleção. A associação responsável pelo Globo de Ouro defende que a medida busca ampliar o alcance do evento e não influencia a votação.
Diversidade em debate
Como parte das reformas pós-crise, os novos donos expandiram o corpo de votantes para cerca de 300 jornalistas internacionais, incluindo representantes de diversas etnias e origens. Nenhum deles, porém, faz parte da Academia de Cinema que decide o Oscar. A mudança visa evitar novos boicotes e restaurar a credibilidade do prêmio, mas o processo contra a Penske mostra que as cicatrizes ainda estão abertas.
A edição de 2025 do Globo de Ouro está marcada para janeiro e será a primeira sob a gestão da Dick Clark Productions. Resta saber se o evento conseguirá superar as acusações e manter o interesse do público e da indústria.



