A economia alemã registrou crescimento de 0,2 ponto percentual no segundo trimestre de 2026, de acordo com dados preliminares divulgados hoje pelo Destatis, o escritório federal de estatísticas. O resultado superou as expectativas do mercado, que previa estabilidade, e representa uma aceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB havia crescido 0,1%.
Setor industrial e exportações lideram expansão
O avanço foi impulsionado principalmente pelo setor industrial, que apresentou alta de 0,5% na produção, e pelas exportações, que cresceram 0,8% no período. O consumo das famílias também contribuiu, com aumento de 0,2%, enquanto os investimentos em máquinas e equipamentos recuaram 0,1%.
“O crescimento modesto, mas acima do esperado, reflete a resiliência da economia alemã em meio a um cenário global desafiador”, afirmou o ministro da Economia, Peter Altmeier, em nota. “A demanda externa, especialmente dos Estados Unidos e da China, tem sustentado as exportações alemãs.”
Comparação anual e perspectivas
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o PIB alemão acumula alta de 1,1%, desacelerando em relação ao crescimento de 1,4% registrado no primeiro trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025. O governo projeta crescimento de 1,0% para todo o ano de 2026.
O Bundesbank, em seu boletim mensal, alertou que a desaceleração da economia global e as tensões comerciais podem impactar o desempenho nos próximos trimestres. A inflação, que fechou junho em 2,3%, ainda preocupa, mas os salários reais começam a se recuperar.
Reação do mercado e setor de serviços
O índice DAX, da bolsa de Frankfurt, operava em alta de 0,4% após a divulgação do dado. No mercado de câmbio, o euro se valorizou 0,2% ante o dólar. Juros dos títulos públicos de 10 anos caíram para 2,15%.
O setor de serviços, que representa cerca de 70% da economia alemã, cresceu 0,3% no trimestre, puxado por serviços financeiros e de tecnologia da informação. Já a construção civil contraiu 0,5%, reflexo da escassez de materiais e mão de obra.
Desafios estruturais e futuros
Analistas destacam que a Alemanha enfrenta desafios de longo prazo, como a transição energética, a digitalização e a escassez de mão de obra qualificada. O crescimento populacional, impulsionado pela imigração, tem ajudado a suprir parte da demanda, mas ainda é insuficiente.
“Os números do segundo trimestre são positivos, mas não devem gerar euforia”, comentou Isabel Schnabel, economista-chefe do Commerzbank. “Precisamos de reformas estruturais para sustentar o crescimento no médio prazo.”



