A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) divulgou um estudo nesta quinta-feira (17) indicando que 84% dos produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos não foram atingidos pela tarifa de 25% imposta pelo presidente americano, Donald Trump. O levantamento mostra que, do total de US$ 39,7 bilhões exportados para o mercado americano em 2025, US$ 33,4 bilhões em produtos ficaram de fora da sobretaxa.
Setores mais afetados e exceções
Entre os setores que conseguiram escapar da tarifa estão o agronegócio, minério de ferro, petróleo e derivados, além de produtos manufaturados como aeronaves e máquinas. Por outro lado, os 16% restantes, que somam US$ 6,3 bilhões, foram taxados. Esses incluem itens como aço, alumínio, veículos e peças, produtos químicos e plásticos.
Impacto da tarifa no comércio bilateral
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou que o impacto da tarifa é menor do que se temia, mas ainda representa um desafio para setores específicos. "Apesar de a maior parte das exportações brasileiras não ter sido afetada, é preciso monitorar os efeitos sobre os segmentos que foram taxados, que podem sofrer retração nas vendas", afirmou Viana. A tarifa de 25% foi anunciada por Trump em fevereiro de 2025 como parte de sua política de proteção à indústria americana.
Negociações e perspectivas
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já iniciou conversas com representantes americanos para tentar reduzir o alcance da tarifa. O embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, afirmou que "o diálogo está aberto e buscamos uma solução que minimize os danos aos setores mais vulneráveis". A expectativa é que novas rodadas de negociação ocorram nas próximas semanas.
Dados do estudo
O estudo da ApexBrasil utilizou dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Departamento de Comércio dos EUA. Foram analisados 8.542 códigos de produtos (NCM) exportados em 2025. Desses, 7.176 códigos (84%) não foram taxados, enquanto 1.366 códigos (16%) sofreram a sobretaxa. Os produtos não taxados representam 84,1% do valor total exportado.
Reação do setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou positivamente o fato de a maioria dos produtos ter ficado de fora da tarifa, mas alertou para a necessidade de diversificar mercados. O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse: "Precisamos reduzir a dependência do mercado americano e ampliar as exportações para outros países, como China e União Europeia". Já a Associação Brasileira do Aço (Aço Brasil) criticou a taxação do setor, que responde por US$ 2,1 bilhões em exportações aos EUA.



