Pesquisa: 54% veem interferência dos EUA ao classificar PCC e CV como terroristas
54% veem interferência dos EUA ao classificar PCC e CV

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta sexta-feira (26) revela que 54% dos brasileiros concordam total ou parcialmente que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos representa uma interferência em assuntos internos do Brasil. O levantamento, realizado entre 13 e 17 de junho com 2.000 entrevistados em 130 municípios, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Percepção de interferência e riscos às comunidades

Entre os entrevistados, 39% concordam totalmente e 15% concordam em parte com a afirmação de que a medida é uma interferência. Por outro lado, 11% discordam em parte e 24% discordam totalmente, enquanto 4% não concordam nem discordam e 8% não sabem ou não responderam.

A segurança dos moradores de comunidades dominadas pelas facções é a principal preocupação: 56% dos brasileiros acreditam que a classificação internacional coloca em risco esses moradores, enquanto 33% discordam total ou parcialmente.

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Impacto no PIX e na economia

Diferentemente do temor sobre as comunidades, o sistema de pagamentos PIX não é visto como ameaçado: 52% discordam total ou parcialmente que a decisão dos EUA afetará o PIX, contra 33% que concordam. "Os dados revelam um brasileiro cauteloso e atento às consequências práticas da medida. A população demonstra preocupação legítima com os moradores de comunidades vulneráveis e enxerga a ação como uma possível interferência em questões internas. Ao mesmo tempo, chama atenção a discordância à narrativa de ameaça ao PIX: o brasileiro confia na manutenção do sistema que utiliza diariamente", analisa Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec.

Em relação à economia, 47% concordam que a medida prejudicará a economia brasileira, enquanto 41% discordam. Já sobre a ameaça aos recursos nacionais, 48% concordam e 39% discordam.

Segurança pública e parceria policial

As opiniões se dividem sobre o impacto na segurança pública: 48% acreditam que a classificação pode melhorar a segurança, enquanto 41% discordam. A parceria entre as forças policiais brasileiras e dos EUA também gera opiniões equilibradas: 43% acham que pode atrapalhar, e 43% discordam dessa possibilidade.

Contexto da classificação e reações políticas

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas entrou em vigor em 5 de junho, anunciada pelo governo dos EUA em 28 de maio. Com a medida, as facções passam a ser tratadas como terroristas, sujeitando apoiadores a sanções, incluindo congelamento de bens nos EUA e restrições de entrada. No Brasil, a legislação não muda, e os grupos continuam sendo tratados como organizações criminosas.

A medida representou uma derrota para o governo Lula, que era contra a classificação e argumentava risco à soberania nacional. O anúncio coincidiu com a visita do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, e a oposição afirma que a posição contrária de Lula é conivência com o crime organizado.

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