Um estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que a violência racial e policial contra mulheres negras no Brasil permanece em patamares elevados, apesar de avanços legais e políticas públicas. A pesquisa, divulgada nesta semana, mostra que as taxas de homicídio e letalidade policial para mulheres negras são desproporcionalmente altas em comparação com mulheres brancas.
Dados alarmantes sobre letalidade
De acordo com o levantamento, em 2023, a taxa de homicídios de mulheres negras foi de 4,5 por 100 mil habitantes, enquanto para mulheres brancas foi de 1,8. A diferença é ainda mais gritante quando se analisa a letalidade policial: 52% das mulheres mortas pela polícia eram negras, embora representem cerca de 50% da população feminina. “Os números mostram que a violência policial tem cor e gênero”, afirma a socióloga e coordenadora do estudo, Maria Aparecida Silva.
Impacto das operações policiais
O estudo também aponta que as operações policiais em comunidades periféricas, majoritariamente negras, resultam em maior número de mortes de mulheres negras. Em 2023, 1.200 mulheres foram vítimas de intervenções policiais, sendo 624 negras. “As mulheres negras são duplamente afetadas: pela violência doméstica e pela violência do Estado”, destaca Silva.
Resposta do governo
O Ministério da Igualdade Racial informou que está implementando programas de capacitação para agentes de segurança e promovendo campanhas de conscientização. No entanto, especialistas apontam que as ações são insuficientes. “É preciso uma reforma estrutural na polícia e políticas de prevenção que abordem o racismo institucional”, avalia o pesquisador Carlos Alberto dos Santos, da Universidade de São Paulo.
Recomendações internacionais
A ONU Mulheres recomendou ao Brasil que adote medidas urgentes para reduzir a violência racial e de gênero, incluindo a criação de ouvidorias independentes e a revisão de protocolos policiais. O país também foi instado a coletar dados mais precisos sobre raça e gênero nas estatísticas de violência.



