O historiador Yuri Costa, em entrevista ao Eu &, afirmou que o conceito de raça é uma ficção que, ao longo dos séculos, adquiriu uma aparência de conhecimento científico. Para ele, a ideia de raça foi construída socialmente e utilizada como ferramenta de dominação e hierarquização de grupos humanos.
Construção histórica do conceito de raça
Costa explica que, no século XVIII, naturalistas como Lineu e Blumenbach classificaram a humanidade em grupos com base em características físicas, como cor da pele e formato do crânio. Essas classificações, embora hoje consideradas pseudocientíficas, serviram para justificar o colonialismo e a escravidão. "O conceito de raça é uma ficção que adquiriu aparência de conhecimento científico", destaca o historiador.
Raça como instrumento político
O historiador ressalta que, apesar de a genética moderna ter demonstrado que não há bases biológicas para raças humanas, o conceito ainda é usado social e politicamente. "A raça não existe biologicamente, mas o racismo é real e tem consequências devastadoras", afirma. Ele cita o exemplo do Brasil, onde a miscigenação não eliminou a discriminação racial.
Impactos na sociedade contemporânea
Costa aponta que a persistência do conceito de raça alimenta desigualdades estruturais. Segundo dados do IBGE, a população negra representa 56% dos brasileiros, mas apenas 29% dos cargos de gerência. "A ficção da raça continua a determinar oportunidades de vida", conclui o historiador.



