O governo do Paraguai convocou nesta quinta-feira o embaixador brasileiro em Assunção, Marcos de Oliveira, para prestar esclarecimentos sobre declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito do conflito armado na região do Prata. A medida representa o mais grave incidente diplomático entre os dois países desde a redemocratização paraguaia.
Declaração de Lula provocou reação imediata
Em entrevista coletiva em Brasília, Lula afirmou que o Paraguai 'está fazendo vista grossa para a escalada militar promovida por grupos irregulares na fronteira' e que 'a neutralidade paraguaia contribui para a instabilidade regional'. A fala foi interpretada como uma crítica direta ao governo do presidente Santiago Peña.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, Juan Pérez, 'a convocação do embaixador é um ato de protesto formal contra declarações que consideramos inapropriadas e que não condizem com o histórico de amizade entre nossos povos'. Pérez acrescentou que o Paraguai espera uma retratação oficial do governo brasileiro.
Relações bilaterais em tensão
As trocas comerciais entre Brasil e Paraguai somaram US$ 5 bilhões em 2025, com destaque para a exportação de energia elétrica da usina de Itaipu. Analistas avaliam que a crise pode afetar acordos de infraestrutura e integração energética.
O Itamaraty informou que está analisando as declarações de Lula e que o embaixador deverá apresentar um relatório detalhado sobre a reunião. Até o momento, não há previsão de uma declaração oficial brasileira sobre o incidente.
Contexto regional
O conflito na região do Prata envolve disputas territoriais entre Argentina e Uruguai, com repercussões nos países vizinhos. O Paraguai tem mantido posição neutra, o que gerou críticas de Lula durante sua fala.
Especialistas em relações internacionais apontam que a crise diplomática é a mais séria desde a crise de 2012, quando o Paraguai sofreu um impeachment relâmpago. A expectativa é que Lula se manifeste nos próximos dias para acalmar os ânimos.



