Lula antecipa ida ao G7 para buscar encontro com Trump sobre tarifas
Lula antecipa ida ao G7 para encontro com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu antecipar sua chegada à reunião do G7, na França, para tentar viabilizar um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula embarca no domingo para Évian-les-Bains, na Alta Saboia, onde ocorrerá a cúpula. A estratégia do Palácio do Planalto é garantir que o presidente brasileiro esteja presente já no primeiro dia do evento, na segunda-feira, diante da possibilidade de Trump participar apenas da abertura, repetindo o que ocorreu no G7 do Canadá em 2024.

Negociações sobre tarifas

Segundo integrantes do governo ouvidos reservadamente, houve sinalização positiva da Casa Branca para uma conversa entre os dois líderes às margens da cúpula. Lula pretende tratar pessoalmente das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Assessores afirmam que o presidente quer saber se Trump está de acordo com as recomendações de novo tarifaço feitas pelo embaixador Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos EUA. Isso esclareceria como o governo brasileiro deve prosseguir nas negociações.

Tensão com Irã pode inviabilizar encontro

O temor de assessores de Lula é que o aumento de tensão entre EUA e Irã acabe inviabilizando o encontro. No governo, a avaliação é de que a proposta de tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por negociação. Já a sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações contra trabalho forçado, é vista como decisão praticamente consolidada. Negociadores brasileiros avaliam que esse percentual serviria para recompor parte da tarifa global de 10% aplicada anteriormente por Trump, que foi derrubada pela Justiça norte-americana.

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Agenda bilateral e participação brasileira

A agenda de reuniões bilaterais de Lula ainda não foi fechada. A intenção é conversar com líderes dos sete países do grupo — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Auxiliares afirmam que a participação no encontro também visa reforçar a imagem internacional de Lula em momento de intensa agenda diplomática. O Brasil participa como país convidado. No dia 15, haverá chegada das delegações, recepção oficial e jantares de abertura restritos aos membros permanentes. O dia 16 concentrará as principais sessões de debate entre chefes de Estado, incluindo convidados, além de reuniões sobre desequilíbrios econômicos globais. No dia 17, estão previstas sessões de encerramento, aprovação de documentos finais e coletivas de imprensa.

Negociações em andamento

A reunião do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, por videoconferência, foi adiada para amanhã por problemas de agenda. Para destravar negociações, o Brasil apresentou lista de bens industriais que podem ter tarifa de importação zerada ou reduzida. Equipes técnicas buscam alinhamento tarifário nesses itens. O Brasil tem interesse em reduzir tarifas para equipamentos hospitalares, o que seria bom para os EUA. O governo brasileiro aceita discutir outras tarifas, como a do etanol, mas por enquanto só foram colocadas na mesa as taxas sobre bens industriais. Embora não esteja na mesa agora, o governo não descarta reavaliar sua posição sobre a moratória do comércio eletrônico na OMC, caso o tema seja associado a discussões mais amplas sobre relações comerciais bilaterais. Integrantes do governo reconhecem que a manutenção da moratória é prioridade estratégica para Washington, especialmente para grandes empresas de tecnologia americanas. Fontes afirmam, no entanto, que não há negociação em curso vinculando a posição brasileira sobre a moratória à suspensão de medidas comerciais contra o país.

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