O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou nesta quinta-feira que o desmatamento na Amazônia não pode ser usado como justificativa para a imposição de taxas comerciais aos produtos brasileiros. A declaração ocorre em meio às negociações para o acordo Mercosul-UE, que enfrenta resistência de países europeus preocupados com questões ambientais.
Declaração do embaixador
Segundo o diplomata, o desmatamento é um problema interno do Brasil, que já está sendo enfrentado com políticas públicas. “Não é justo que se use o desmatamento como pretexto para barreiras comerciais. O Brasil tem feito sua parte na preservação ambiental”, disse Costa e Silva durante evento em Bruxelas. Ele destacou que a taxa de desmatamento caiu 15% no último ano, segundo dados do INPE.
Impacto nas negociações
A declaração ocorre em um momento crítico para as negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia. Países como França e Áustria têm pressionado por cláusulas ambientais mais rígidas, incluindo a possibilidade de sanções comerciais em caso de aumento do desmatamento. O embaixador brasileiro rejeitou essa abordagem: “O acordo deve ser baseado em confiança mútua, não em ameaças”.
Reações de especialistas
Especialistas em comércio internacional ouvidos pela reportagem divergem sobre a posição brasileira. Para a economista Laura Carvalho, da USP, o Brasil precisa mostrar resultados concretos na redução do desmatamento para evitar restrições. Já o professor de relações internacionais Marcos Valle, da UnB, acredita que a pressão europeia pode ser usada como alavanca para políticas ambientais mais eficazes.
Números do desmatamento
Dados do INPE mostram que, entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área desmatada na Amazônia Legal foi de 8.200 km², uma redução de 15% em relação ao período anterior. Apesar da queda, o número ainda é considerado alto por ambientalistas, que pedem metas mais ambiciosas.



