A crise diplomática entre Brasil e Argentina, considerada inédita e sem precedentes na história recente por especialistas e pelo Itamaraty, se intensificou na segunda-feira com novas ofensas do presidente argentino Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva, seguidas de ironias de Lula e uma resposta contundente do ministro da Fazenda brasileiro, que chamou Milei de 'palhaço'.
Ofensas e troca de acusações
Na segunda-feira, Milei renovou seus ataques a Lula durante um discurso, chamando-o de 'corrupto' e 'comunista'. Em resposta, Lula usou ironia ao comentar as declarações, afirmando que 'não perde tempo com fascistas'. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi ainda mais direto ao se referir ao presidente argentino como 'palhaço' durante uma entrevista, segundo fontes oficiais.
Investigação por ingerência
Paralelamente, o Brasil investiga a participação de Milei em uma convenção política no país no último final de semana, ocorrida em Santa Catarina. A suspeita é de que a presença do líder argentino tenha configurado ingerência em assuntos internos brasileiros. O Itamaraty já manifestou repúdio formal ao que classifica como 'interferência inaceitável' de um chefe de Estado estrangeiro na política nacional.
Especialistas avaliam crise como histórica
Analistas políticos ouvidos pela reportagem afirmam que a situação não tem paralelo na relação bilateral recente. 'Desde a redemocratização, nunca se viu um nível tão elevado de hostilidade entre os dois países', disse o cientista político Carlos Melo, da Universidade de São Paulo. A crise também preocupa o Mercosul, bloco que já enfrenta dificuldades de integração.
Impacto nas relações bilaterais
A tensão já afeta negociações comerciais e acordos de cooperação. Dados do Ministério da Economia indicam que o comércio bilateral caiu 8% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. 'A crise diplomática tem consequências concretas para empresários e trabalhadores dos dois lados', alertou a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).



