O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou nesta quinta-feira a retomada dos laços diplomáticos com Israel, rompidos durante o governo de Gustavo Petro, e a abertura de uma embaixada colombiana em Jerusalém. A decisão representa uma guinada na política externa do país sul-americano, alinhando-se mais estreitamente com os Estados Unidos e Israel.
Detalhes do anúncio
De la Espriella, que assume a presidência em agosto de 2026, confirmou que também retirará o apoio da Colômbia ao processo movido contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), referente a acusações de genocídio na Faixa de Gaza. A medida inclui ainda a troca de embaixadores entre os dois países e a isenção de vistos para cidadãos colombianos e israelenses.
Contexto da ruptura anterior
O governo de Gustavo Petro havia rompido relações diplomáticas com Israel em maio de 2024, em protesto contra a ofensiva militar israelense em Gaza, que já havia causado mais de 35 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde palestino. Na ocasião, Petro classificou as ações de Israel como "genocídio" e apoiou a denúncia apresentada pela África do Sul na CIJ.
Posição de de la Espriella
De la Espriella, político de extrema direita, declarou que a nova política externa busca "fortalecer os laços históricos com Israel e com os Estados Unidos, nossos aliados estratégicos". Em discurso, afirmou: "Vamos restabelecer a cooperação em segurança, inteligência e tecnologia, áreas em que Israel é referência mundial".
Reações e impactos
A decisão foi recebida com entusiasmo pelo governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu agradeceu a de la Espriella pela "corajosa decisão de levar a embaixada a Jerusalém, nossa capital eterna". Por outro lado, organizações de direitos humanos e partidos de esquerda colombianos criticaram a medida, afirmando que ela "ignora o sofrimento do povo palestino".
A mudança de postura colombiana ocorre em um momento de crescente isolamento internacional de Israel devido à guerra em Gaza, que já dura mais de dois anos. Especialistas apontam que a Colômbia se junta a um pequeno grupo de países que mantêm embaixadas em Jerusalém, como Estados Unidos, Guatemala e Kosovo.



