A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou nesta segunda-feira (27) a suspensão da chamada “assistência climática” que afirma prestar à Argentina há mais de quatro décadas. A decisão foi divulgada nas redes sociais do grupo e vinculada diretamente às declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Decisão da fundação
Na publicação, a fundação classificou o discurso de Milei como um “ataque político ao nosso país” e condicionou a retomada da atuação à apresentação de um pedido formal de desculpas por parte do governo argentino. “Enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño”, afirmou a entidade.
A Fundação Cobra Coral afirma que presta assistência climática à Argentina desde 1982, durante a Guerra das Malvinas, e que manteve essa atuação no governo de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito após o fim da ditadura militar no país. Segundo o grupo, uma das ações ocorreu no início de 1989, quando a Argentina enfrentava uma crise energética provocada pela seca. A fundação sustenta ter realizado uma “operação mística” para influenciar o clima e provocar chuvas sobre bacias hidrográficas argentinas, com o objetivo de elevar o nível dos reservatórios utilizados para geração de energia hidrelétrica.
Crise diplomática
O anúncio ocorre em meio ao agravamento da tensão entre Brasil e Argentina após a visita de Javier Milei ao país no último fim de semana. Durante o evento do PL, o presidente argentino chamou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”. As declarações provocaram reação do governo brasileiro, que convocou o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos e classificou o episódio como uma interferência em assuntos internos do Brasil.
O fenômeno El Niño, que deve intensificar chuvas em algumas regiões e causar secas em outras, é um fator adicional de preocupação para a Argentina, que já enfrenta desafios econômicos e energéticos. A suspensão da assistência climática pela Fundação Cobra Coral, embora de caráter místico, ganhou repercussão como mais um símbolo da deterioração das relações bilaterais. A entidade, conhecida por suas práticas de influência climática, não divulgou prazo para retomada dos trabalhos, mas reiterou que a decisão está nas mãos do governo argentino.



