O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,06% em julho, resultado abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,10%. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou no piso das estimativas, surpreendendo analistas e provocando um movimento de queda nos juros futuros em toda a extensão da curva.
Composição do índice
O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos e pela desaceleração dos serviços. O grupo de alimentação e bebidas registrou variação negativa de 0,30%, enquanto os serviços subiram 0,15%, abaixo do mês anterior. Já os preços administrados, como energia e combustíveis, apresentaram alta de 0,40%, puxados pelo reajuste sazonal da energia elétrica.
Reação dos mercados
Com a inflação abaixo do esperado, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 caiu de 10,74% para 10,65%, e o DI para janeiro de 2026 recuou de 11,08% para 10,95%. Segundo analistas do mercado, o IPCA-15 fraco reforça a percepção de que o Banco Central pode manter a Selic estável nos próximos encontros, ou até mesmo iniciar um ciclo de cortes mais cedo do que o previsto.
Impacto em outros ativos
O Ibovespa operou em alta, sustentado pelo alívio nos juros. O índice principal subiu 0,8% no dia, puxado por ações sensíveis a juros, como varejo e construção civil. O dólar comercial caiu 0,5%, cotado a R$ 5,42, refletindo a melhora no cenário doméstico. Apesar disso, investidores seguem atentos ao cenário fiscal e às sinalizações do Federal Reserve nos Estados Unidos.
Perspectivas futuras
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do mês (IPCA), que será divulgado no início de agosto. Se o resultado confirmar a tendência de arrefecimento, o Banco Central pode revisar suas projeções. No entanto, o mercado ainda vê riscos de alta, especialmente com a pressão de serviços e a incerteza sobre os preços administrados. A expectativa para o IPCA de julho é de alta em torno de 0,20%, segundo a mediana das previsões coletadas pelo Banco Central.



