Brasil descarta declarar Milei 'persona non grata' após ataque a Lula
Brasil não cogita 'persona non grata' a Milei após ataque

Orientação do Planalto é evitar escalada

O governo brasileiro descarta declarar o presidente argentino, Javier Milei, como 'persona non grata' após os ataques proferidos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL) no último sábado (25). Segundo fontes do Palácio do Planalto, a orientação é não responder no mesmo tom, a fim de evitar uma escalada desnecessária nas tensões diplomáticas entre os dois países.

Ataque de Milei a Lula

Durante o evento do PL, Milei chamou Lula de 'corrupto e comunista', em uma crítica aberta ao líder brasileiro. As declarações foram recebidas com surpresa e cautela no Brasil, já que a relação entre os dois presidentes vinha sendo marcada por divergências ideológicas, mas ainda assim pautada pela cordialidade institucional.

O Itamaraty também foi informado sobre o ocorrido, mas até o momento não há qualquer movimento oficial para classificar Milei como 'persona non grata', medida extrema que implicaria a expulsão do representante diplomático argentino ou a quebra de relações. Especialistas avaliam que a reação brasileira é calculada para não alimentar o radicalismo do governo argentino e manter canais de diálogo abertos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Histórico de tensões

Milei, que assumiu a presidência argentina em dezembro de 2023, já havia feito críticas a Lula durante a campanha eleitoral, mas as declarações na convenção do PL representam o ataque mais direto desde que tomou posse. Lula, por sua vez, evitou comentar publicamente o episódio, reforçando a postura de contenção defendida pelo Planalto.

Diplomatas brasileiros destacam que o Brasil mantém uma política externa de não interferência e respeito à soberania alheia, e que a reação a provocações verbais deve ser medida. A expectativa é de que o incidente não prejudique as relações bilaterais, que envolvem acordos comerciais e cooperação em áreas como energia e infraestrutura.

Impacto nas relações bilaterais

Embora as relações entre Brasil e Argentina sejam historicamente sólidas, o episódio acendeu alertas sobre a estabilidade do vínculo entre os dois maiores países da América do Sul. Com a Argentina enfrentando grave crise econômica, o governo Milei busca apoio internacional, mas a postura agressiva pode afastar parceiros como o Brasil.

Por enquanto, a orientação de Brasília é clara: não dar o braço a torcer nem alimentar polêmicas. O Palácio do Planalto acredita que a melhor estratégia é isolar o ataque e demonstrar maturidade política. 'Não vamos cair em provocações', afirmou uma fonte do governo, que preferiu não se identificar.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar