Em resposta às recentes acusações dos Estados Unidos e da União Europeia, a China rejeitou veementemente as alegações de que sua política industrial estaria gerando excesso de capacidade produtiva em setores como aço, alumínio e painéis solares. O Ministério do Comércio chinês emitiu uma declaração oficial nesta terça-feira, 28 de julho, classificando as críticas como “infundadas e contrárias aos fatos”.
Posição chinesa baseada em regras de mercado
“A capacidade industrial da China resulta de decisões de mercado e da competitividade de suas empresas, não de subsídios governamentais ou práticas desleais”, afirmou o porta-voz do ministério, Gao Feng, em entrevista coletiva em Pequim. Segundo ele, o país sempre atuou dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e promoveu o desenvolvimento sustentável da indústria global.
Os Estados Unidos e a União Europeia haviam apontado que a superprodução chinesa estaria distorcendo os preços internacionais e prejudicando fabricantes locais. Em junho, o Representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, declarou que Washington consideraria a imposição de tarifas adicionais sobre produtos chineses para compensar os efeitos do excesso de oferta.
Dados sobre capacidade industrial chinesa
Dados oficiais chineses mostram que a taxa de utilização da capacidade na indústria de aço ficou em 78% no primeiro semestre de 2026, ligeiramente acima da média global de 75%. O governo chinês já implementou medidas para reduzir a capacidade excedente, como o fechamento de siderúrgicas obsoletas e a imposição de padrões ambientais mais rígidos.
“A China está comprometida com a reforma estrutural do lado da oferta. Reduzimos ativamente a capacidade de produção de aço em 150 milhões de toneladas entre 2020 e 2025, superando as metas estabelecidas”, destacou Gao. Ele acrescentou que as exportações chinesas de aço caíram 12% no ano passado, contrariando a narrativa de dumping.
Reações internacionais e implicações comerciais
A União Europeia, por sua vez, anunciou em julho a abertura de uma investigação sobre subsídios chineses à indústria de veículos elétricos, alegando que a produção chinesa poderia inundar o mercado europeu. Pequim classificou a medida como “protecionista” e prometeu tomar as medidas necessárias para defender seus interesses.
Analistas apontam que a disputa pode escalar para uma nova guerra comercial, afetando cadeias globais de suprimento. “A retórica de ambos os lados está se intensificando, mas a interdependência econômica ainda é grande. Uma escalada prejudicaria a todos”, avaliou o economista Wang Hui, da Universidade de Pequim.
China defende multilateralismo
O governo chinês também aproveitou a ocasião para reafirmar seu apoio ao multilateralismo e à OMC. “A China está disposta a resolver divergências por meio de diálogo e consulta, com base no respeito mútuo e nas regras internacionais”, concluiu o porta-voz.
Apesar das tensões, as exportações chinesas totais cresceram 8% no primeiro semestre de 2026, com destaque para produtos de alta tecnologia. Especialistas acreditam que a China continuará a ampliar sua participação em mercados emergentes para mitigar o impacto de sanções ocidentais.



