Mudanças na direção podem indicar declínio cognitivo
Estudo publicado na revista Neurology pela Washington University School of Medicine acompanhou 298 pessoas idosas (média de 75 anos) por mais de três anos. Do total, 56 participantes tinham comprometimento cognitivo leve, condição que pode anteceder a demência. Os carros foram equipados com GPS para registrar horários, velocidade, distância, frequência e variedade de trajetos. No início, os hábitos eram semelhantes entre os grupos. Com o tempo, quem desenvolveu comprometimento cognitivo passou a dirigir menos, especialmente à noite, percorrer trajetos mais curtos e optar por caminhos conhecidos, reduzindo a variedade de rotas. Os resultados indicam que alterações no comportamento ao volante podem servir como indicador precoce de problemas cognitivos.
Dirigir exige integração de várias áreas do cérebro
Segundo a neurologista Sonia Maria Dozzi Brucki, professora livre-docente pela FMUSP, dirigir é uma tarefa complexa que exige atenção, memória operacional, tomada de decisão, tempo de reação e coordenação motora. "Você precisa prestar atenção no veículo da frente, de trás, do lado, olhar os retrovisores, calcular distâncias, decidir quando frear e com qual intensidade", explica. Essas atividades estimulam simultaneamente várias áreas cerebrais, sendo benéficas para a saúde cerebral.
Sinais de alerta independentemente da idade
A especialista ressalta que alterações cognitivas podem surgir em qualquer fase da vida. Esquecer trajetos habituais, dificuldade para calcular distâncias, precisar pensar mais em ações antes automáticas ou mudanças de comportamento no trânsito, como impulsividade ou agressividade, merecem atenção. "Qualquer coisa que faça você sair do seu padrão habitual merece investigação", alerta Brucki.
Prazer ao volante e saúde mental
Para muitas pessoas, dirigir proporciona sensação de liberdade e bem-estar. A neurologista afirma que, quando a direção é prazerosa, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor ligado à recompensa, aliviando sintomas de ansiedade e depressão. Relatos de condutoras como Natália Cigarro, Matilde Sanches e Solange Pivari destacam a direção como fonte de autonomia, aconchego e independência.



