O Xiaohongshu, aplicativo de estilo de vida mais popular da China, conhecido como 'Instagram chinês', está prestes a abrir capital na Bolsa de Hong Kong. A plataforma, que no Ocidente recebe o nome de RedNote, tem um visual semelhante ao Pinterest e ganhou destaque internacional após receber 'refugiados' do TikTok nos Estados Unidos, em meio à ameaça de bloqueio do aplicativo no país.
Impacto no turismo chinês
O Xiaohongshu também mostra seu impacto no turismo doméstico chinês, que atingiu níveis recordes. Viajantes usam o aplicativo para descobrir novos destinos e planejar roteiros em locais fotogênicos. Um lago no bairro histórico de Shichahai, em Pequim, é um dos vários pontos 'daka' — considerados parada obrigatória — que atraem cada vez mais pessoas por causa do Xiaohongshu.
Por lá, há uma concorrência acirrada entre fotógrafos que fazem retratos de mulheres vestidas com trajes tradicionais. Em uma segunda-feira recente, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, oferecia seus serviços aos turistas, cobrando 10 yuans (cerca de R$ 7,60) por retrato. A poucos metros, outros fotógrafos instruíam jovens com roupas elegantes, que faziam o sinal de vitória com os dedos e arqueavam as costas diante das câmeras. Li contou à AFP que a disputa por clientes é intensa, já que muitos concorrentes têm forte presença nas redes sociais. Um deles possui 45 mil seguidores no Xiaohongshu e cobra preços mais baixos.
Recorde de viagens e crescimento de usuários
A China registrou um recorde de 6,5 bilhões de viagens domésticas em 2025, de acordo com a agência Xinhua, um aumento de 16% em relação a 2024. No mesmo período, a base de usuários do Xiaohongshu cresceu de 300 milhões para 350 milhões de usuários ativos mensais, segundo a plataforma de análise de dados Qiangua. A rede social impulsionou negócios pouco conhecidos e levou multidões a destinos fora dos roteiros tradicionais, como Zibo, uma tranquila cidade industrial da província de Shandong, depois que seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizaram.
A turista Mina Chen, que visitava Shichahai com a irmã, planejou toda a viagem a Pequim com base nas recomendações de outros usuários. 'Hoje, ele é indispensável para mim', disse a estudante de 20 anos à AFP. O Xiaohongshu é hoje o primeiro lugar onde 'muitos viajantes jovens' buscam inspiração, afirmou Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting.
Problemas do turismo impulsionado pelo app
O turismo estimulado pelo Xiaohongshu também trouxe problemas, como o excesso de visitantes em locais que viralizaram e a dependência excessiva de empresas em relação ao tráfego gerado pela plataforma, explicou Lai. Publicações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos geraram críticas quando as recomendações não corresponderam às expectativas dos visitantes.
'Refugiados' do TikTok e planos de IPO
O aplicativo ganhou atenção internacional em 2025, quando o plano do governo americano de proibir o TikTok levou usuários dos Estados Unidos, apelidados de 'refugiados', a migrar para o RedNote. Nas últimas semanas, o 'Instagram chinês' voltou às manchetes por seu preparativo para apresentar de forma confidencial uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal. A AFP entrou em contato com a empresa para comentar a informação.
As mulheres jovens de cidades ricas da China são a principal base de usuários do Xiaohongshu, de acordo com a Qiangua. Mas a rede social também está atraindo falantes de chinês em países como Malásia e Singapura. O aposentado singapurense Ernest Phua usou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando em mandarim 'estratégias de viagem' e recomendações. 'Se queremos saber como é realmente a vida na China' e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, 'o Xiaohongshu tem muito conteúdo', afirmou.
Meng Jiaxuan, de 20 anos, vestida com um traje tradicional em Shichahai, contou que até as poses de sua sessão de fotos foram pesquisadas no aplicativo. 'Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu', disse.



