O voo 526A da Pan American World Airways, conhecido como Clipper Endeavor, caiu no Oceano Atlântico em 11 de abril de 1952, menos de nove minutos após decolar de San Juan, Porto Rico, com destino a Nova York. Os dois motores do lado direito falharam em sequência, forçando o piloto John C. Burn a tentar uma amaragem de emergência. O impacto inicial foi sobrevivido por todos os 69 passageiros e tripulantes, mas o pânico e a confusão nos minutos seguintes resultaram em 52 mortes. A cauda do avião se desprendeu e a fuselagem afundou rapidamente.
Descoberta dos destroços após 73 anos
No dia 2 de junho de 2025, uma equipe de exploração localizou os destroços do Douglas DC-4 a cerca de 600 metros de profundidade e aproximadamente 8 quilômetros da costa de Porto Rico. Utilizando um veículo subaquático autônomo chamado Miss Millie, equipado com sonar avançado e câmeras, os exploradores avistaram as letras brancas “PAA” sobre o fundo azul do logotipo da Pan Am, além das letras “VOR” do nome Endeavor, parcialmente encobertas por detritos.
“Quando as primeiras imagens chegaram, foi um choque”, disse Josh Gates, apresentador do programa Expedition Unknown, do Discovery Channel, que participou do projeto. “Fiquei sem ar, porque era muito mais do que eu imaginava que veríamos. O avião está incrivelmente preservado, e ver aquele alumínio — que não corrói — brilhando no fundo do mar foi impressionante.”
Detalhes do acidente e impacto na aviação
O voo, apelidado de Easter Special, seguia para o aeroporto Idlewild (atual JFK) na Sexta-Feira Santa. Segundo o depoimento do piloto, muitos passageiros se recusaram a abandonar o avião após o pouso na água, permanecendo presos aos assentos com cintos afivelados. A barreira do idioma, o mar agitado e o medo de tubarões dificultaram a evacuação. Na época, os avisos de segurança antes da decolagem não eram obrigatórios. O acidente impulsionou novas orientações sobre procedimentos de emergência para passageiros.
“Foi um acidente que mudou profundamente a aviação como a conhecemos hoje”, afirmou Gates.
Histórias pessoais e familiares
Diana Lachatanere, de 80 anos, contou que tinha 5 anos quando seu pai, Romulo Lachatanere, farmacêutico e fotógrafo, morreu no acidente. “Ainda mexe comigo”, disse ela, arquivista aposentada. “Não existe corpo. Isso me entristece, porque me faz pensar nele.”
O comandante John C. Burn também esteve envolvido em outro desastre aéreo famoso em 1943, quando era tripulante do Yankee Clipper, que caiu perto de Lisboa. Ele ajudou a salvar a atriz e cantora Jane Froman, com quem se casou posteriormente.
A busca e a descoberta
Russ Matthews, presidente da Air/Sea Heritage Foundation, liderou a busca nos últimos sete anos. O local era profundo demais para mergulhadores, e o mau tempo atrasou as operações. Em maio de 2025, o navio de pesquisa Fugro Brasilis passou pela área de 26 km² onde se concentravam as buscas, transportando o veículo subaquático Miss Millie, avaliado entre US$ 10 milhões e US$ 12 milhões. Após quase 30 passagens, na 13ª, a equipe avistou a cauda e a fuselagem do avião.
“Chegamos a passar por cima de um naufrágio que ninguém sabia que existia”, contou Matthews. “Mas estamos procurando um avião, então vamos seguir.”
Mais de 350 mil fotos foram feitas dos destroços, que não foram tocados. Não há planos para retirar restos mortais, já que 39 corpos nunca foram encontrados. “Aquilo provavelmente é o único marco que essas famílias terão”, concluiu Matthews.



