O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a discutir internamente a possibilidade de promover uma mudança de regime no Irã como forma de escapar do impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, segundo fontes familiarizadas com o assunto. A estratégia, que havia sido deixada de lado nos últimos meses, ganhou força após o fracasso das tentativas de diálogo direto com Teerã.
Contexto do impasse nuclear
As conversas entre Washington e Teerã, mediadas por países europeus, não avançaram desde que os EUA se retiraram do acordo nuclear de 2015, em 2018. O Irã, por sua vez, acelerou seu enriquecimento de urânio, atingindo níveis próximos a 60% de pureza, o que preocupa a comunidade internacional. Segundo o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o país já possui urânio enriquecido suficiente para, em tese, produzir material para uma bomba atômica, caso decida fazê-lo.
Diante desse cenário, a Casa Branca teria reavivado planos de apoiar abertamente a oposição iraniana e movimentos de protesto dentro do país. A ideia é criar condições para uma transição política que leve à queda do governo do aiatolá Ali Khamenei, sem necessidade de intervenção militar direta. "A abordagem atual não está funcionando. Precisamos de uma nova estratégia que não dependa apenas de sanções", teria dito um alto funcionário do governo Trump, sob condição de anonimato.
Sanções e resistência interna
As sanções econômicas impostas pelos EUA ao Irã já causaram graves danos à economia iraniana, com inflação acima de 40% e desemprego elevado. No entanto, não conseguiram forçar Teerã a recuar em seu programa nuclear. Pelo contrário, o governo iraniano intensificou as atividades atômicas e reduziu a cooperação com inspetores internacionais. "As sanções são uma ferramenta contundente, mas não são suficientes para mudar o comportamento do regime", afirmou um ex-diplomata americano ouvido pela reportagem.
Paralelamente, protestos populares voltaram a ocorrer em várias cidades iranianas, com manifestantes exigindo melhores condições de vida e liberdades políticas. O governo Trump avalia que um apoio mais explícito a esses movimentos poderia desestabilizar o regime. "Estamos monitorando de perto a situação dos direitos humanos no Irã e considerando todas as opções para apoiar o povo iraniano", declarou o secretário de Estado, Mike Pompeo, em entrevista recente.
Riscos e críticas à estratégia
Especialistas, no entanto, alertam para os riscos de uma abordagem centrada na mudança de regime. "Historicamente, esse tipo de política tende a fortalecer o nacionalismo e unir a população em torno do governo, em vez de enfraquecê-lo", disse um analista do Conselho de Relações Exteriores. Além disso, há o temor de que o Irã acelere ainda mais seu programa nuclear como resposta, aumentando a chance de um conflito regional.
Aliados europeus também demonstraram ceticismo. A França, o Reino Unido e a Alemanha têm pressionado por uma solução diplomática que preserve o acordo nuclear e evite uma escalada. "Qualquer tentativa de mudança de regime seria contraproducente e colocaria em risco a segurança de toda a região", afirmou um diplomata europeu em Bruxelas.
Próximos passos
Por enquanto, a Casa Branca não tomou decisões concretas sobre a nova estratégia. O presidente Trump, que enfrenta eleições em novembro, busca uma vitória na política externa que possa impulsionar sua campanha. A questão iraniana, no entanto, continua sendo um dos maiores desafios de seu governo. "Trump quer resultados rápidos, mas a situação no Irã é complexa e não há soluções fáceis", concluiu o ex-diplomata.



