Ação judicial expõe disputa entre Toyota e ONG africana
Uma ação judicial movida na Califórnia no mês passado coloca a maior montadora do mundo, a Toyota, no papel de gigante lutando contra uma operação de baixo orçamento na África. A disputa não envolve tecnologia automotiva secreta ou somas milionárias, mas sim um humilde veículo elétrico de três rodas projetado para ajudar agricultores africanos pobres a transportar suas mercadorias.
Mobility for Africa acusa Toyota de roubo de propriedade intelectual
No processo registrado em um tribunal federal, a organização Mobility for Africa afirma que a Toyota Mobility Foundation (organização sem fins lucrativos da Toyota) roubou sua tecnologia e planos para o veículo de três rodas e os entregou à Exa Innovation Studio, que então criou a Songa Mobility, uma empresa com fins lucrativos no Quênia. A Toyota Mobility Foundation disse em comunicado que estava “ciente deste assunto e está investigando”, mas se recusou a comentar mais.
Segundo o processo, a conduta da fundação dificultou para a Mobility for Africa arrecadar fundos e expandir seus veículos além do Zimbábue, onde opera. Atualmente, o projeto da Mobility for Africa no Zimbábue tem 322 veículos, enquanto o projeto no Quênia, que alega usar sua tecnologia, tem 70, de acordo com o site da organização.
Fundadora da ONG expressa frustração
Shantha Bloemen, ex-oficial da UNICEF e fundadora da Mobility for Africa, disse: “Já existe um enorme déficit de transporte nas partes rurais do continente. E isso se traduz em um enorme fardo econômico e social, especialmente para as mulheres.” Bloemen descobriu no ano passado que a Toyota Mobility Foundation havia permitido secretamente que a Exa Innovation Studio estabelecesse a Songa Mobility no Quênia.
Impacto no financiamento e expansão
A Toyota Mobility Foundation cortou o financiamento para a organização de Bloemen no ano passado, e a Songa Mobility passou a competir por subsídios com a Mobility for Africa. A fundação também excluiu a ONG de projetos em outros lugares da África, de acordo com a ação judicial. Para efeito de comparação, a Toyota vendeu mais de 11 milhões de veículos no ano passado, enquanto os projetos africanos envolvem apenas centenas de unidades.



