Um estudo liderado pela geofísica Sunyoung Park, da Universidade de Chicago, revelou que o terremoto de magnitude 9,0 que atingiu o Japão em 11 de março de 2011 causou um deslocamento quase uniforme de todo o país alguns milímetros para leste, ocorrido 15 minutos após o tremor principal. O movimento, que permaneceu sem explicação por mais de uma década, foi finalmente atribuído a ondas sísmicas que viajaram até o núcleo da Terra e retornaram.
Descoberta inesperada
Park e sua equipe analisaram dados sísmicos de estações de monitoramento no Japão e identificaram um sinal anômalo que indicava um deslocamento lento e contínuo do solo. "Ficamos surpresos ao ver que todo o Japão se moveu alguns milímetros para leste cerca de 15 minutos após o terremoto", explicou Park. "Esse movimento não estava relacionado ao tremor principal, mas a ondas que se propagaram pelo interior da Terra."
Ondas sísmicas e o núcleo terrestre
As ondas sísmicas geradas pelo terremoto viajaram através do manto terrestre e atingiram o núcleo externo da Terra, que é líquido. Ao interagir com o núcleo, parte da energia foi refletida de volta à superfície, criando ondas que empurraram a crosta terrestre de forma uniforme. Esse fenômeno, conhecido como "onda S difratada", já era teorizado, mas nunca havia sido observado causando um deslocamento tão amplo e coeso.
Impacto na compreensão de riscos sísmicos
A descoberta pode ter implicações significativas para a avaliação de riscos sísmicos. "Entender como ondas sísmicas podem interagir com o núcleo e causar movimentos na superfície nos ajuda a prever melhor os efeitos de grandes terremotos", afirmou Park. O estudo sugere que terremotos de magnitude similar podem gerar deslocamentos lentos que passam despercebidos, mas que podem acumular estresse em falhas geológicas.
O terremoto de 2011, conhecido como Grande Terremoto do Leste do Japão, gerou um tsunami devastador que causou a catástrofe nuclear de Fukushima. O deslocamento agora documentado, embora pequeno, representa um novo aspecto da dinâmica sísmica que pode influenciar modelos de perigo futuro.



