A startup americana Reflect Orbital recebeu autorização da Comissão Federal de Comunicações (FCC) para lançar o satélite experimental Eärendil-1, dando o primeiro passo em direção a um projeto ambicioso e controverso: instalar até 50 mil satélites equipados com espelhos no espaço para refletir a luz solar em áreas específicas da Terra durante a noite.
Como funcionará o sistema de espelhos orbitais
A ideia é que cada satélite, dotado de um espelho refletivo, possa direcionar um feixe de luz solar para regiões terrestres que necessitem de iluminação adicional no período noturno. A empresa denomina o conceito de "luz solar sob demanda", com potencial aplicação na agricultura, permitindo que plantações recebam luz extra para prolongar o período de fotossíntese, além de usos em emergências e iluminação urbana.
O primeiro satélite, Eärendil-1, servirá como prova de conceito. Segundo a Reflect Orbital, o espelho terá cerca de 10 metros de diâmetro e será capaz de iluminar uma área de aproximadamente 5 quilômetros de diâmetro no solo. A empresa planeja escalar o projeto para uma constelação de satélites que, juntos, poderiam cobrir grandes extensões.
Preocupações de astrônomos e ambientalistas
A iniciativa, no entanto, desperta entusiasmo e preocupação. Astrônomos alertam para o aumento da poluição luminosa, que já dificulta observações celestes. "A adição de milhares de pontos brilhantes no céu noturno pode comprometer seriamente a pesquisa astronômica", afirmou John Barentine, diretor de políticas da International Dark-Sky Association, em entrevista à imprensa internacional. Ambientalistas também temem impactos na fauna noturna e nos ciclos biológicos de plantas e animais.
A Reflect Orbital defende que os espelhos serão direcionados apenas para áreas específicas e que a luz refletida será menos intensa que a luz solar direta. No entanto, críticos apontam que o brilho residual e o movimento dos satélites podem criar rastros luminosos indesejados.
Próximos passos e desafios técnicos
O lançamento do Eärendil-1 está previsto para os próximos meses, sujeito a aprovações finais. A empresa ainda precisa demonstrar a viabilidade técnica do sistema, incluindo o controle preciso da orientação dos espelhos e a comunicação com a superfície. Além disso, o custo estimado do projeto completo é bilionário, e a Reflect Orbital busca investidores privados e parcerias governamentais.



