Rússia e Ucrânia atacam embarcações no Mar Negro e ameaçam mercado de trigo
Rússia e Ucrânia atacam embarcações no Mar Negro

Ataques a navios elevam tensão no Mar Negro

Novos ataques a embarcações comerciais no Mar Negro, realizados tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia, colocam em risco o fluxo de exportações de trigo da região, que responde por cerca de 30% do comércio global do grão. A escalada de hostilidades ocorre em meio ao colapso do corredor de grãos mediado pela ONU, elevando os preços internacionais do cereal.

Detalhes dos incidentes

Na última quarta-feira, um navio cargueiro com bandeira de Malta foi atingido por um míssil perto do porto de Odessa, segundo autoridades ucranianas. A Ucrânia acusou a Rússia de disparar o artefato, enquanto Moscou afirmou que se tratava de uma operação contra embarcações que transportavam armas para Kiev. Horas depois, a Marinha russa reportou a destruição de dois drones navais ucranianos que tentavam atacar navios de guerra russos na costa da Crimeia.

Os ataques ocorrem após o Kremlin ter se retirado do acordo de grãos em julho de 2023, alegando que as sanções ocidentais impediam suas exportações de fertilizantes. Desde então, a Rússia intensificou bombardeios contra portos ucranianos, enquanto a Ucrânia passou a alvejar navios russos e infraestrutura portuária na Crimeia.

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Impacto no mercado de trigo

O mercado de trigo reagiu imediatamente. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do cereal subiram 4,2% nesta quinta-feira, cotados a US$ 7,85 por bushel. Analistas do banco ING estimam que a interrupção das exportações pelo Mar Negro pode retirar até 15 milhões de toneladas de trigo do mercado global nos próximos meses.

"A situação é extremamente volátil. Qualquer ataque a navios no Mar Negro tem repercussão imediata nos preços, porque o mercado já opera com estoques apertados", disse Carlos Mera, analista de commodities do Rabobank, em nota a clientes.

Consequências para a segurança alimentar

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o aumento dos preços do trigo pode agravar a insegurança alimentar em países da África e do Oriente Médio, que dependem fortemente das importações da região. O Egito, maior importador mundial de trigo, já anunciou que buscará fornecedores alternativos na União Europeia e na Austrália.

O governo ucraniano, por sua vez, afirmou que está negociando com a Romênia e a Bulgária para ampliar a capacidade de exportação por rotas terrestres e fluviais, mas reconheceu que o custo logístico é significativamente maior. "Cada ataque russo a nossos portos custa milhões de dólares em perdas para agricultores e consumidores globais", declarou o ministro da Agricultura da Ucrânia, Mykola Solsky, em entrevista coletiva.

Reações internacionais

A União Europeia condenou os ataques e pediu moderação, enquanto os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra empresas russas envolvidas na exportação de grãos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu dizendo que a Rússia está disposta a retomar o acordo de grãos, desde que suas exigências sejam atendidas, incluindo a reconexão do banco agrícola russo ao sistema SWIFT.

Especialistas, no entanto, duvidam de um rápido entendimento. "O Mar Negro se tornou um campo de batalha não apenas militar, mas também econômico. Enquanto não houver um cessar-fogo, o mercado de trigo continuará refém dessa instabilidade", afirmou o analista geopolítico Timothy Ash, da BlueBay Asset Management.

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