Rio Branco de Americana: feito histórico em Copas dura 20 anos
Rio Branco: feito histórico em Copas completa 20 anos

O Rio Branco Esporte Clube, da cidade de Americana, interior de São Paulo, ostenta uma marca que perdura por duas décadas: foi o primeiro – e até hoje único – clube brasileiro a revelar três jogadores convocados para uma mesma edição de Copa do Mundo por seleções diferentes. O feito ocorreu na Copa de 2006, na Alemanha, conhecida como a “Copa dos Craques” por reunir astros como Ronaldo, Ronaldinho, Kaká (Brasil), Zidane, Thierry Henry (França), Lionel Messi (Argentina) e Cristiano Ronaldo (Portugal).

Os três revelados pelo Tigre

Segundo o livro “Almanaque do Rio Branco”, de Claudio Gioria, os três atletas formados nas categorias de base do clube que disputaram o Mundial de 2006 foram Mineiro (Brasil), Marcos Senna (Espanha) e Antônio Naelson, conhecido como Sinha (México). Mineiro, volante, foi convocado de última hora pelo técnico Carlos Alberto Parreira para substituir Edmílson, que sofreu uma grave lesão no joelho dias antes da estreia. Na época, Mineiro vivia o auge da carreira, tendo marcado o gol do título mundial do São Paulo sobre o Liverpool em 2005.

Mineiro foi revelado no Rio Branco e estreou profissionalmente no final de 1993, aos 18 anos. Permaneceu no clube até 1998, quando foi vendido para a Ponte Preta por R$ 600 mil. Teve passagens por Hertha Berlin e Chelsea.

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Marcos Senna, formado no Tigre na década de 1990, foi convocado pela Espanha após se naturalizar a pedido do técnico Luis Aragonés. Ídolo do Villarreal, onde jogou por 11 anos a partir de 2002, Senna tornou-se o primeiro brasileiro campeão da Eurocopa, em 2008, e é considerado um dos precursores da geração espanhola que conquistou a Copa do Mundo de 2010.

Sinha, meio-campista, disputou o Mundial pelo México. Naturalizado mexicano, foi o primeiro jogador naturalizado a marcar um gol pela seleção do México, em outubro de 2004. Chegou ao Rio Branco em 1994 para jogar nos aspirantes, mas não se firmou na equipe principal. Foi negociado com o América-MG e depois seguiu para o Toluca, onde ganhou destaque.

Base modesta, resultado grandioso

Para Claudio Gioria, o feito do Rio Branco “mostra que o trabalho de base que era feito antigamente nos clubes pequenos ajudava, e muito, a abastecer não apenas os clubes grandes, mas seleções também”. No entanto, o escritor lamenta que a crise que atinge clubes do interior nos últimos anos não recebe a devida atenção, o que “reflete na falta de revelação de jogadores”.

A marca também foi alcançada por gigantes europeus como Ajax (Holanda) na Copa de 2006, e Barcelona (Espanha) nas Copas de 2010, 2014 e 2018. Mas, enquanto esses clubes investem milhões de euros anualmente para atrair jovens talentos do mundo todo, o Rio Branco conseguiu o feito com orçamento modesto do interior paulista. Até hoje, nenhum outro clube brasileiro igualou a proeza.

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