O Paquistão manifestou nesta quarta-feira (16) temor de ser arrastado para um conflito entre Estados Unidos e Irã, após um ataque do grupo houthi contra a Arábia Saudita. O governo paquistanês pediu contenção a todas as partes envolvidas e alertou para o risco de uma guerra regional de consequências imprevisíveis.
Ataque houthi acende alerta
O incidente ocorreu na terça-feira (15), quando rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, lançaram drones e mísseis contra instalações petrolíferas no leste da Arábia Saudita. O ataque não causou vítimas, mas interrompeu temporariamente a produção de petróleo em uma refinaria da estatal Saudi Aramco. Os houthis reivindicaram a ação como resposta à ofensiva militar saudita no Iêmen.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que "a escalada de violência na região é profundamente preocupante" e que "o Paquistão não deseja ser envolvido em nenhum conflito que não seja de sua escolha". O país mantém laços históricos com a Arábia Saudita, mas também busca equilibrar relações com o Irã, vizinho estratégico.
Pressão dos EUA sobre o Paquistão
Diplomatas em Islamabad revelaram que os Estados Unidos pressionam o Paquistão a assumir uma posição mais clara contra o Irã e os houthis. Washington considera o grupo iemenita um proxy iraniano e vê o ataque como uma ameaça direta à segurança energética global. No entanto, o governo paquistanês resiste a alinhar-se totalmente com os EUA, temendo retaliações iranianas e instabilidade interna.
"O Paquistão está numa posição delicada", afirmou um analista político local, sob condição de anonimato. "Qualquer passo em falso pode atrair sanções ou até mesmo ataques. Precisamos de uma política externa independente."
Reação iraniana e saudita
O Irã negou envolvimento no ataque houthi, mas elogiou a "resistência do povo iemenita". Teerã também criticou a presença militar dos EUA no Golfo Pérsico, classificando-a como "provocação". Já a Arábia Saudita condenou o ataque e prometeu responder com firmeza, sem especificar medidas.
O Paquistão, que já mediou conflitos entre sauditas e iranianos no passado, ofereceu-se para atuar como canal de diálogo. "Acreditamos que a diplomacia é o único caminho", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. No entanto, analistas duvidam que Islamabad tenha influência suficiente para conter a escalada.
Riscos para o Paquistão
Especialistas apontam que o Paquistão pode sofrer consequências econômicas e de segurança caso o conflito se intensifique. O país importa petróleo da Arábia Saudita e depende de remessas de trabalhadores paquistaneses no Golfo. Além disso, grupos extremistas sunitas e xiitas dentro do Paquistão poderiam explorar a tensão sectária.
"Uma guerra entre EUA e Irã teria efeitos catastróficos para o Paquistão", alertou um professor de relações internacionais da Universidade de Islamabad. "Desde o aumento do preço do petróleo até ataques terroristas, o país pagaria um preço alto."
O governo paquistanês já iniciou contatos com lideranças tribais e religiosas para evitar que o conflito externo se reflita em violência doméstica. Até o momento, não há registro de protestos ou incidentes graves relacionados ao ataque houthi.



