ONU: Fome global recua em todos os continentes em 2025
ONU: Fome global recua em todos os continentes em 2025

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório nesta quarta-feira indicando que a fome global recuou em todos os continentes em 2025. Pela primeira vez em décadas, todas as regiões do mundo registraram queda no número de pessoas subnutridas, segundo o documento.

Queda histórica, mas desafios persistem

O relatório, produzido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em parceria com outras agências da ONU, destaca que o número de pessoas que passam fome no mundo caiu para cerca de 600 milhões em 2025, uma redução de 50 milhões em relação ao ano anterior. Apesar do progresso, a ONU ressalta que a desnutrição infantil, a anemia entre as mulheres e a obesidade entre adultos continuam sendo problemas graves e persistentes.

“A redução da fome é uma conquista significativa, mas não podemos ignorar que milhões de crianças ainda sofrem de desnutrição crônica e que a anemia afeta uma em cada três mulheres em idade reprodutiva”, afirmou o diretor-geral da FAO, em comunicado oficial.

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Impacto de conflitos e mudanças climáticas

O relatório aponta que os conflitos armados e os eventos climáticos extremos continuam a ser os principais fatores que dificultam a erradicação da fome. Em regiões como o Sudão, onde a guerra civil já deslocou milhões de pessoas, a insegurança alimentar permanece crítica. A imagem de Hanan Adam Hassan, uma mãe sudanesa de 39 anos deslocada com cinco filhos, incluindo seu filho Enaam, preparando comida em um abrigo improvisado em Tawila, Darfur do Norte, ilustra a realidade de muitos.

“A fome não é apenas uma questão de produção de alimentos, mas de acesso e estabilidade”, destacou a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA). “Enquanto houver guerras e crises climáticas, famílias como a de Hanan continuarão em risco.”

Desnutrição infantil e anemia: metas ainda distantes

Apesar da melhora geral, a ONU alerta que a desnutrição crônica (nanismo) afeta cerca de 140 milhões de crianças menores de cinco anos, e a anemia atinge 30% das mulheres em idade fértil. A obesidade adulta, por sua vez, cresceu em todas as regiões, com mais de 800 milhões de pessoas obesas no mundo, um aumento de 10% desde 2020.

“A transição nutricional está criando um duplo fardo: desnutrição e obesidade coexistem em muitos países, especialmente nos de baixa e média renda”, explicou a chefe de nutrição da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Investimentos e políticas públicas

A ONU defende que os governos invistam em sistemas alimentares sustentáveis, proteção social e programas de nutrição direcionados. O relatório conclui que, sem ações urgentes, a meta de erradicar a fome até 2030 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2) não será alcançada.

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