Candidatos à chefia da ONU debatem reforma do Conselho de Segurança
ONU: candidatos debatem reforma do Conselho de Segurança

Em um debate histórico realizado nesta quinta-feira, os candidatos à chefia da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentaram suas propostas para reformar o Conselho de Segurança, órgão máximo da instituição. O encontro, organizado pela Universidade de Nova York, contou com a participação de oito dos nove aspirantes ao cargo de secretário-geral, que sucederá António Guterres em 2027.

Ampliação do Conselho é consenso

Todos os candidatos presentes defenderam a ampliação do Conselho de Segurança, atualmente composto por 15 membros, sendo cinco permanentes com poder de veto (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido). A proposta mais recorrente foi a inclusão de novos membros permanentes, especialmente da África, América Latina e Ásia, regiões sub-representadas.

"O Conselho de Segurança reflete a realidade de 1945, não a de 2026", afirmou a candidata do Quênia, Amina Mohamed, ex-diretora-geral da Organização Mundial do Comércio. Ela defendeu que a África tenha pelo menos dois assentos permanentes. Já o ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos, propôs a criação de uma categoria de membros semipermanentes, com mandatos renováveis e sem veto.

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Veto e transparência em xeque

O poder de veto foi outro ponto central do debate. A candidata da Suécia, Margot Wallström, ex-ministra das Relações Exteriores, sugeriu a limitação do veto em casos de crimes contra a humanidade. "Não podemos permitir que um único país paralise a ação da ONU diante de um genocídio", disse. O ex-primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, defendeu a abolição gradual do veto, mas reconheceu a dificuldade política da medida.

O representante da Índia, o diplomata Syed Akbaruddin, criticou a falta de transparência nas decisões do Conselho. "As reuniões informais e os acordos de bastidores minam a credibilidade da ONU", afirmou. Ele propôs a criação de um mecanismo de prestação de contas para os membros permanentes.

Reforma financeira e climática

Além da reforma do Conselho, os candidatos discutiram a necessidade de modernizar o sistema financeiro da ONU. A candidata da Indonésia, Retno Marsudi, ministra das Relações Exteriores, sugeriu a criação de uma taxa sobre transações financeiras internacionais para financiar programas de desenvolvimento e ação climática. "Precisamos de fontes de receita previsíveis e independentes das contribuições voluntárias dos Estados-membros", explicou.

O ex-presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado, propôs a criação de um conselho de segurança climática, que teria poder para impor sanções a países que descumprirem metas ambientais. "A crise climática é a maior ameaça à paz global no século XXI", disse.

Próximos passos

O debate foi o primeiro de uma série de eventos preparatórios para a eleição do novo secretário-geral, que ocorrerá em 2027. A Assembleia Geral da ONU votará em setembro, e o Conselho de Segurança fará uma recomendação até outubro. O candidato precisa de pelo menos 9 votos no Conselho, sem veto de nenhum membro permanente, e maioria simples na Assembleia.

Apesar do consenso sobre a necessidade de reforma, analistas apontam que as mudanças no Conselho de Segurança enfrentam forte resistência dos membros permanentes, especialmente Rússia e China, que se beneficiam do atual sistema. "O debate é positivo, mas a implementação concreta ainda é incerta", avaliou o professor de relações internacionais da Universidade de Columbia, John Mearsheimer.

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