A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta sobre o 'aumento sem precedentes' de novas drogas sintéticas no mundo, conforme o Relatório Mundial sobre Drogas de 2026. O documento estima que 331 milhões de pessoas utilizaram algum tipo de droga em 2024, com a cannabis mantendo-se como a substância mais consumida globalmente.
Expansão de opioides sintéticos preocupa
O relatório destaca a expansão de opioides sintéticos, como os fentanis, que estão substituindo a heroína em mercados afetados pela proibição do cultivo de papoula no Afeganistão. Essa mudança representa um novo desafio para as políticas de combate às drogas, pois essas substâncias são extremamente potentes e letais em pequenas doses.
Segundo a ONU, o número de novas substâncias psicoativas (NSP) registradas atingiu níveis recordes, com mais de 1.200 tipos diferentes monitorados. A agência alerta que a rápida evolução do mercado de drogas sintéticas dificulta a resposta dos sistemas de saúde pública e de aplicação da lei.
Cannabis: consumo cresce 40% em uma década
O consumo de cannabis apresentou um aumento de 40% entre 2014 e 2024, impulsionado pela legalização em vários países e pela percepção reduzida de risco entre os jovens. A ONU ressalta que, embora a cannabis seja a droga mais consumida, o foco atual deve estar nas drogas sintéticas, que representam uma ameaça mais imediata à saúde pública.
O relatório também aponta que cerca de 64 milhões de pessoas sofrem de transtornos relacionados ao uso de drogas, mas apenas uma em cada cinco recebe tratamento. A ONU enfatiza a necessidade de ampliar o acesso a serviços de prevenção, tratamento e redução de danos.
Impacto da proibição do cultivo de papoula no Afeganistão
A proibição do cultivo de papoula no Afeganistão, imposta pelo Talibã em 2022, teve um efeito significativo no mercado global de heroína. A redução da oferta levou ao aumento da produção e do tráfico de opioides sintéticos, que são mais baratos e fáceis de produzir. A ONU alerta que essa transição pode resultar em um aumento de overdoses fatais, especialmente em regiões onde o fentanil já é prevalente.
O relatório conclui que a comunidade internacional precisa fortalecer a cooperação para monitorar e responder ao surgimento de novas drogas sintéticas, além de investir em estratégias baseadas em evidências para reduzir a demanda e os danos associados ao uso de substâncias.



