Adriana Garambone: peça com Silvia Pfeifer e Helena Fernandes e etarismo aos 55
Adriana Garambone: etarismo e nova peça com Silvia Pfeifer

A atriz Adriana Garambone, aos 55 anos, está em cartaz com o espetáculo 'As Cidadãs', ao lado de Silvia Pfeifer e Helena Fernandes. Em entrevista, ela reflete sobre o etarismo no meio artístico e na sociedade, destacando que a peça aborda justamente a invisibilidade da mulher madura.

O espetáculo 'As Cidadãs' e a temática do envelhecimento

'As Cidadãs' é uma peça que reúne três atrizes de diferentes gerações: Adriana Garambone (55), Silvia Pfeifer (66) e Helena Fernandes (57). O texto, escrito por Marta Góes e dirigido por Jorge Farjalla, trata da solidão e do apagamento social das mulheres acima dos 50 anos. Segundo Garambone, a montagem surgiu de uma inquietação pessoal das atrizes. 'A gente queria falar sobre o que é ser mulher depois dos 50, num mundo que valoriza a juventude', explica.

Reflexão sobre etarismo e carreira

Garambone afirma que o etarismo é uma realidade que a afeta diretamente. 'Aos 55, percebo que os papéis diminuem, as oportunidades se tornam mais raras. Isso não é só no teatro, mas no cinema, na TV, em todas as áreas', desabafa. A atriz ressalta que a peça funciona como um grito de resistência: 'Estamos no palco para mostrar que temos talento, história e muito a dizer'. Ela também critica a indústria cultural por reproduzir preconceitos etários. 'Muitas vezes, a mulher madura é retratada de forma estereotipada, como avó ou figura assexuada. Queremos romper com isso'.

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A parceria com Silvia Pfeifer e Helena Fernandes

Sobre a dinâmica com as colegas de elenco, Garambone destaca a cumplicidade e o aprendizado mútuo. 'Silvia e Helena são atrizes extraordinárias. Cada uma traz sua vivência para o palco. A troca é enriquecedora'. Ela conta que o processo criativo foi colaborativo: 'Discutimos cada cena, cada fala. O resultado é um trabalho muito honesto'. A peça tem recebido elogios da crítica e do público, lotando as sessões no Rio de Janeiro.

O futuro do teatro e a luta contra o preconceito

Para Garambone, o teatro continua sendo um espaço de resistência. 'Enquanto houver público disposto a refletir, o teatro terá relevância'. Ela defende políticas culturais que incentivem a diversidade etária nos palcos. 'Precisamos de mais dramaturgia que contemple a maturidade, mais diretores que apostem em elencos diversos', defende. A atriz também comemora a boa fase: 'Estou feliz com o trabalho, mas sei que a luta é constante. O etarismo não vai acabar da noite para o dia, mas cada peça, cada debate, cada entrevista como esta ajuda a quebrar tabus'.

Dados sobre etarismo no mercado de trabalho artístico

Segundo pesquisa da Associação dos Artistas Brasileiros, atrizes acima dos 50 anos representam menos de 10% dos papéis em novelas e séries. Garambone vê esses números como um reflexo de uma sociedade que ainda precisa evoluir. 'Não podemos aceitar que mulheres talentosas sejam descartadas por causa da idade. A arte precisa espelhar a realidade, e a realidade é que mulheres maduras são ativas, bonitas e cheias de vida'.

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