Uma comissão independente da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou Israel de genocídio por 'visar deliberadamente' crianças palestinas na Faixa de Gaza. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (23), os investigadores afirmam haver 'motivos razoáveis' para concluir que autoridades israelenses continuam cometendo genocídio contra a população palestina, com ataques sistemáticos a unidades de saúde infantil e escolas.
Investigação aponta ataques a neonatologia e maternidade
O documento detalha que forças israelenses teriam atacado intencionalmente alas de neonatologia e maternidade em hospitais de Gaza, resultando na morte de dezenas de bebês e crianças. A comissão também documenta bombardeios contra escolas que serviam como abrigo para famílias deslocadas, matando centenas de menores. 'Os padrões de violência indicam uma política deliberada de destruição das condições de vida das crianças palestinas', afirmou a relatora especial da ONU, Francesca Albanese, em coletiva de imprensa.
Reação de Israel: 'relatório difamatório'
O governo de Israel rejeitou veementemente as acusações. O Ministério das Relações Exteriores israelense classificou o relatório como 'difamatório e tendencioso', alegando que a comissão ignora as ações do Hamas, que utiliza crianças como escudos humanos e infraestrutura civil para fins militares. 'Israel tem o direito de se defender contra o terrorismo e age em conformidade com o direito internacional', declarou o porta-voz do governo, David Mencer.
Impacto devastador sobre saúde e educação
Segundo dados da comissão, mais de 15 mil crianças palestinas foram mortas desde o início do conflito em outubro de 2023, e dezenas de milhares ficaram feridas ou órfãs. O sistema de saúde em Gaza está colapsado, com apenas 30% dos hospitais funcionando parcialmente. A educação também foi severamente afetada: 90% das escolas foram danificadas ou destruídas, privando mais de 600 mil crianças de acesso ao ensino.
Comissão pede ação da comunidade internacional
O relatório conclui que as ações israelenses constituem genocídio conforme a Convenção da ONU de 1948, e pede que o Conselho de Segurança tome medidas para proteger a população civil. A comissão também recomendou que os Estados-membros imponham sanções a Israel e suspendam a venda de armas. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, já haviam feito acusações semelhantes anteriormente.
Contexto do conflito
A guerra entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, após um ataque do grupo islâmico que matou cerca de 1.200 israelenses e sequestrou mais de 200 reféns. A resposta militar israelense em Gaza já causou mais de 37 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. A comunidade internacional está dividida: enquanto os Estados Unidos apoiam o direito de Israel à autodefesa, vários países e a ONU criticam a conduta das operações militares.



