O governo indiano anunciou a criação de uma força-tarefa para reformular o sistema de vestibular, após uma onda de protestos sem precedentes liderados pelo movimento satírico Partido das Baratas (CJP). O primeiro-ministro Narendra Modi aceitou a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, aliado político de longa data, marcando a primeira grande derrota de seu governo em 12 anos.
O escândalo do exame de medicina
O estopim das manifestações foi o vazamento das questões do concorrido exame de admissão para as faculdades de medicina, que obrigou o governo a cancelar o concurso e convocar cerca de dois milhões de estudantes para novas provas. A situação se agravou quando o presidente da Suprema Corte indiana classificou os jovens desempregados como "baratas" e "parasitas".
Foi então que o estrategista político Abhijeet Dipke, de 30 anos, formado em Boston, sugeriu pelo X: "E se todas as baratas se unissem?" A postagem viralizou e deu origem ao Partido das Baratas, que rapidamente ocupou as ruas em protestos gigantescos. O movimento tornou-se o rosto visível da indignação da Geração Z indiana.
A força do movimento jovem
Os protestos não se limitaram à demissão do ministro da Educação. Eles canalizaram a insatisfação dos 370 milhões de jovens indianos, dos quais cerca de 40% dos formados entre 15 e 25 anos estão desempregados. O movimento revigorou a oposição, que aderiu em massa. O líder do partido Congresso Nacional Indiano, Rahul Gandhi, foi detido ao participar de uma manifestação em frente à residência de Modi.
O premiê, de 75 anos, tornou-se alvo de insultos, no maior desafio a seu reinado. A renúncia de Pradhan foi vista como uma humilhante retratação. "Governo de joelhos, primeira renúncia forçada em 12 anos. Abhijeet Dipke, você é um líder", escreveu o movimento em sua página oficial.
Impacto e próximos passos
A força-tarefa para reformular o vestibular deverá apresentar propostas nos próximos meses. O governo e a oposição reconhecem que não é mais possível ignorar as demandas do eleitorado jovem. O próximo teste para Modi será nas eleições estaduais do início do próximo ano, que indicarão se o Partido das Baratas conseguirá manter sua influência política.



