O comandante Ramiro Valdés Menéndez, um dos principais líderes da Revolução Cubana e o último sobrevivente da expedição do iate Granma, morreu aos 94 anos em Havana. A morte foi anunciada pelo governo cubano neste sábado (21). Valdés era considerado o criador do serviço de inteligência do país e ocupou cargos estratégicos, como o Ministério do Interior, sendo peça-chave na consolidação do regime após 1959.
Trajetória revolucionária e relação com os irmãos Castro
Nascido em 1924, Valdés integrou o movimento 26 de Julho e participou da expedição do iate Granma em 1956, marco inicial da Revolução. Ao lado de Fidel e Raúl Castro, lutou na Sierra Maestra e, após a vitória revolucionária, tornou-se um dos homens de confiança do regime. Foi ministro do Interior entre 1961 e 1968 e novamente nos anos 1970, além de vice-presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros. Sua atuação foi fundamental na criação dos órgãos de segurança e inteligência cubanos.
Último sobrevivente do Granma e homenagens
Com a morte de Valdés, encerra-se um capítulo da história cubana: ele era o último dos 82 expedicionários do Granma ainda vivo. O presidente Miguel Díaz-Canel lamentou o falecimento em suas redes sociais, destacando a “lealdade inabalável” do comandante à Revolução e aos irmãos Castro. O governo cubano decretou luto oficial e prestou homenagens militares.
Papel na consolidação do regime
Valdés foi um dos arquitetos do sistema político cubano pós-revolução. Como chefe do Ministério do Interior, supervisionou a polícia, os serviços de inteligência e a segurança do Estado. Durante a crise dos mísseis em 1962, esteve na linha de frente das decisões estratégicas. Mesmo após se afastar dos cargos mais altos, continuou a ser uma figura respeitada e influente dentro do Partido Comunista de Cuba.
Reações e legado
A morte de Ramiro Valdés gerou reações dentro e fora de Cuba. Enquanto o governo o exalta como herói, críticos lembram seu papel na repressão a dissidentes nas décadas de 1960 e 1970. Segundo o historiador cubano Rafael Rojas, “Valdés foi um dos pilares do aparato de segurança que permitiu a longevidade do regime de Castro”. Seu enterro será realizado com honras de Estado no Cemitério Colón, em Havana.



