O Banco do Japão (BOJ) elevou sua taxa básica de juros para 1% nesta quarta-feira, um movimento que sinaliza o fim de uma era de deflação que durou mais de três décadas. A decisão, tomada por maioria de votos, reflete a confiança de que a economia japonesa finalmente entrou em um ciclo de inflação sustentável, após anos de estagnação de preços e crescimento anêmico.
Detalhes da decisão e metas de inflação
A taxa de juros de curto prazo foi ajustada de 0,75% para 1%, o maior nível desde 2008. O BOJ também revisou para cima suas projeções de inflação, agora esperando que o índice de preços ao consumidor (CPI) fique acima de 2% nos próximos dois anos. "Estamos vendo sinais claros de que a economia está se movendo para um equilíbrio de preços estáveis", disse o governador do BOJ, Kazuo Ueda, em entrevista coletiva após o anúncio.
Impacto na economia doméstica
A alta dos juros deve encarecer o crédito e desacelerar o consumo, mas analistas destacam que o movimento é necessário para evitar o superaquecimento. O Japão vinha mantendo taxas negativas ou próximas de zero desde meados da década de 1990, numa tentativa de combater a deflação. "Este é um ponto de virada histórico", afirmou o economista-chefe do Nomura Research Institute, Takahide Kiuchi. "As empresas japonesas agora precisam se adaptar a um ambiente de custos de capital mais altos."
Reações dos mercados
Os mercados financeiros reagiram com volatilidade. O iene se valorizou cerca de 2% frente ao dólar, enquanto o índice Nikkei 225 caiu 1,5%, pressionado por ações de empresas exportadoras. Investidores agora aguardam os próximos passos do BOJ, que indicou que novos aumentos dependerão de dados econômicos. "O ciclo de aperto monetário no Japão está apenas começando", avaliou o estrategista do Goldman Sachs, Naohiko Baba.
Contexto histórico e perspectivas
A decisão marca o fim de uma era de política monetária ultraexpansionista, que incluiu compras maciças de ativos e taxas negativas. O Japão enfrentou décadas de deflação e crescimento baixo, mas a recente alta de preços, impulsionada por custos de importação e aumento salarial, deu ao BOJ a confiança necessária para normalizar a política. "A luta contra a deflação foi vencida", declarou Ueda. O próximo desafio será garantir que a inflação não ultrapasse a meta de forma descontrolada.



