Japão promete investimentos de US$ 2,28 tri em plano econômico
Japão promete investimentos de US$ 2,28 tri em plano

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, finalizou nesta terça-feira seu primeiro plano econômico, prometendo impulsionar investimentos em setores de crescimento. A promessa, no entanto, foi ofuscada pelo aumento dos rendimentos dos títulos, refletindo preocupações de que o governo possa interferir na política monetária.

Pressão sobre o Banco do Japão

O governo de Takaichi enfrenta dificuldades para dissipar a percepção do mercado de que pode aumentar os gastos e pressionar o Banco do Japão a adiar aumentos da taxa de juros, a fim de conter o custo do financiamento da já enorme dívida do país. À medida que os rendimentos dos títulos públicos sobem para níveis não vistos em décadas desde junho, o governo foi forçado a ajustar várias vezes a redação do plano em relação à política monetária.

Uma frase em uma versão preliminar que defendia uma política monetária “que estimule a demanda privada” desapareceu à medida que as taxas de longo prazo subiam. Depois que uma versão posterior vinculava a política monetária aos esforços do governo para impulsionar o crescimento e abalou os mercados, foram feitas revisões para esclarecer que o banco central define a política “para alcançar aumentos estáveis dos preços”.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Independência do banco central

O projeto final manteve a redação que instava o Banco do Japão a alinhar sua política com a do governo, mas inseriu uma nota de rodapé referindo-se a uma cláusula da lei que estipula a necessidade de proteger a independência do banco central na definição da política monetária. “Para alcançar uma economia forte, é muito importante que a política monetária seja conduzida de forma adequada para garantir aumentos estáveis dos preços”, afirma o projeto final, aprovado pelo gabinete nesta terça-feira.

A legislação japonesa garante ao banco central independência em relação à interferência política, mas também exige estreita coordenação com a política econômica do governo.

Compromissos para impulsionar o investimento

Takaichi, conhecida como defensora da “Abenomics”, combinação de grandes gastos fiscais e afrouxamento monetário adotada pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, afirmou no plano: “Sob a administração de Takaichi, o governo tomará a iniciativa e, em conjunto com o setor privado, investirá em áreas estratégicas, pondo assim fim à tendência de subinvestimento que tem atolado o Japão”.

O Japão buscará trabalhar com o setor privado para canalizar recursos para setores estratégicos, com investimentos públicos e privados combinados projetados para ultrapassar 370 trilhões de ienes (US$ 2,28 trilhões) até o ano fiscal de 2040, segundo o documento.

Abandonando a linguagem usada em governos anteriores, que prometiam restaurar a saúde fiscal, o plano de Takaichi se comprometeu a equilibrar a necessidade de impulsionar o crescimento e alcançar a “sustentabilidade fiscal”.

Reação do mercado

Desde que assumiu o cargo em outubro, Takaichi prometeu aumentar os gastos para revitalizar a economia. Seu governo também sinalizou reservas em relação aos aumentos dos juros pelo Banco do Japão. O foco em gastos elevados e taxas baixas elevou os rendimentos dos títulos, em meio à preocupação do mercado de que o Japão possa ver suas finanças piorarem e demorar demais para lidar com os riscos de inflação.

Depois de atingir a máxima em três décadas de 2,9% em 9 de julho, o rendimento do título de referência do governo japonês (JGB) de 10 anos recuou um pouco e estava em 2,73% nesta terça-feira.

“Orientamos a política econômica e fiscal levando em conta a sustentabilidade fiscal e a necessidade de manter a confiança do mercado. Continuaremos a fazê-lo com base nesse plano”, afirmou Takaichi nesta terça-feira, em uma reunião de um painel que debatia o plano.

Mas alguns analistas afirmam que meros ajustes na redação do texto pouco contribuirão para aliviar as preocupações do mercado em relação às políticas de Takaichi. “O governo quer que o Banco do Japão mantenha os juros baixos para poder emitir mais dívida”, disse o ex-membro da diretoria do banco central Seiji Adachi. “Essa não é uma boa mensagem a se enviar aos mercados.”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

O Banco do Japão encerrou um programa agressivo de estímulo em 2024 e elevou a taxa de juros várias vezes, inclusive em junho. Ele sinalizou que está pronto para continuar aumentando sua taxa básica, que, em 1%, ainda é baixa em comparação com outras economias avançadas.