Com o bloqueio do Estreito de Ormuz imposto pelo Irã, o Iraque está utilizando caminhões para transportar petróleo bruto através da Síria até o Mediterrâneo, contornando a rota marítima estratégica. A medida representa uma mudança significativa nos fluxos de energia do Oriente Médio e já impacta as exportações regionais.
Rota alternativa por terra
De acordo com fontes do setor, comboios de caminhões-pipa cruzam diariamente a fronteira Iraque-Síria, levando óleo para terminais no porto sírio de Baniyas, no Mediterrâneo. A Síria, que antes tinha capacidade de exportação limitada, viu seus embarques de combustível aumentarem drasticamente nas últimas semanas.
Oleodutos em expansão
Países da região, incluindo Iraque e Síria, retomaram planos de reativar e expandir oleodutos terrestres como alternativa ao Estreito de Ormuz. Um dos projetos mais ambiciosos é a reativação do oleoduto Kirkuk-Baniyas, que estava paralisado há décadas devido a conflitos e sanções. Investidores dos Estados Unidos demonstraram interesse em financiar a expansão, segundo autoridades iraquianas.
O governo do Iraque afirmou que a nova rota terrestre pode transportar até 300 mil barris por dia no curto prazo, com potencial para dobrar essa capacidade nos próximos meses. "Estamos transformando uma crise em oportunidade", disse o ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel-Ghani, em entrevista coletiva.
Impacto no mercado global
O bloqueio de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, elevou os preços internacionais e forçou países dependentes do Golfo a buscar alternativas. Analistas apontam que a rota síria, embora mais cara e logísticamente complexa, reduz a vulnerabilidade do Iraque a tensões no Golfo Pérsico. A longo prazo, a infraestrutura terrestre pode se consolidar como uma via permanente de exportação.



