Iene se mantém como 3ª melhor moeda do G10 apesar de mínima em 40 anos
Iene é 3ª melhor moeda do G10 apesar de mínima em 40 anos

O iene japonês atingiu nesta quarta-feira (1º) seu menor patamar em 40 anos frente ao dólar, mas ainda assim figura como a terceira moeda com melhor desempenho entre as economias do G10 na semana, segundo análise do Deutsche Bank. O banco alemão atribui esse desempenho relativo a uma "ameaça de intervenção" cambial por parte das autoridades japonesas.

Contexto do enfraquecimento do iene

O enfraquecimento da divisa levou o Japão a considerar uma intervenção no mercado cambial, que poderia envolver mais de US$ 74 bilhões. Embora o patamar de US$ 160 por dólar tenha motivado um eventual movimento do governo há seis semanas, ele não pareceu tão incomum, de acordo com o relatório do Deutsche Bank divulgado nesta quarta-feira. A última vez que esse valor foi atingido foi em junho de 2024.

Critérios tradicionais não foram observados

Os analistas do Deutsche Bank explicaram que "havia poucos dos critérios tradicionalmente citados pelas autoridades japonesas — como movimentos rápidos, excesso de valorização em relação aos fundamentos econômicos ou grandes posições vendidas especulativas". Segundo o banco, seu indicador de excesso de valorização baseado nesses fatores não estava elevado no fim de abril. Além disso, um modelo que considera juros, petróleo e ações também não apontava nenhuma anomalia significativa.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Interpretação das autoridades japonesas

"Isso nos levou à conclusão de que os formuladores de política econômica consideravam níveis acima de 160 simplesmente inaceitáveis", afirmaram os analistas. A combinação de fatores presentes nesta semana — queda de 10% nos preços do petróleo, elevação dos juros pelo Banco do Japão (BoJ) para o maior nível em 31 anos, mas com tom mais brando (dovish), e um Federal Reserve mais duro (hawkish) — marcou o cenário que levou a moeda japonesa a seu pior patamar em quatro décadas.

Perspectivas de intervenção

A manutenção do iene como uma das melhores moedas do G10 sustenta a ideia de que, se a possibilidade de intervenção segurou a moeda, uma atuação real poderia garantir suporte no curto prazo. "Por isso, o retorno do câmbio a esses patamares nos leva a acreditar que uma nova intervenção pode ocorrer em breve. É possível que as autoridades tenham preferido esperar o fim das reuniões do Fed e do BoJ antes de agir", dizem os analistas.

Recursos e limitações

O Ministério das Finanças do Japão conta com mais de US$ 1 trilhão em reservas internacionais para subsidiar uma eventual intervenção. No entanto, o Deutsche Bank ressalta que as intervenções cambiais têm limitações e não trariam resultado para manutenção da moeda em patamar confortável, conforme as expectativas das autoridades japonesas. Seria necessário um Banco do Japão mais agressivo na elevação de juros e/ou alguma ação para alterar os fluxos de capitais. No momento, não há sinais da segunda opção e há poucos indícios da primeira.

Recomendação do Deutsche Bank

"Como resultado, temos dificuldade em enxergar uma queda relevante do USD/JPY [dólar/iene] além daquela que uma eventual intervenção poderia proporcionar", afirmam os analistas. O banco sustenta que a estratégia de vender EUR/JPY (posição vendida no par euro/iene) segue como uma boa opção neste cenário. A estabilidade da relação cambial entre euro e iene no último mês, em contraste com a dinâmica entre dólar e iene, teria sido impulsionada pelo crescimento econômico — em parte impulsionado pela inteligência artificial, visto como positivo para a economia japonesa. Além disso, o potencial de reprecificação dos juros favorece o Japão.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar