Houthis ameaçam fechar estreito vital para comércio mundial em apoio ao Irã
Houthis ameaçam fechar estreito vital para comércio mundial (21.07.2026)

Houthis declaram bloqueio naval à Arábia Saudita

Dois petroleiros sauditas que navegavam no Mar Vermelho em direção ao Estreito de Bab Al-Mandeb deram meia-volta após o grupo extremista Houthis ter iniciado um bloqueio naval à Arábia Saudita, segundo dados de navegação marítima. Os navios, que carregam petróleo saudita com destino à China e à Índia, mudaram de rota nesta semana e agora seguem para o Canal de Suez, conforme dados da LSEG.

A ação ocorreu um dia após o grupo extremista libanês anunciar, na segunda-feira (20), um embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaçar fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, a segunda maior rota de exportação de petróleo do Oriente Médio, por onde passa cerca de 9% do volume mundial da commodity.

Comunicado dos Houthis e reação da ONU

Em comunicado divulgado à imprensa, o porta-voz militar do movimento rebelde, Yahya Saree, chamou a Arábia Saudita de "inimigo criminoso" e declarou: "Os Houthis declaram um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, baseado na lei de 'olho por olho', com efeito imediato após a emissão desta declaração." Ele acrescentou que o bloqueio é uma resposta ao "cerco injusto e opressivo contínuo da Arábia Saudita contra nosso querido povo por quase 12 anos, saqueando nossos recursos e impondo um bloqueio abrangente a nossos portos e aeroportos por terra, mar e ar".

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Horas depois, um porta-voz da ONU lamentou o bloqueio e afirmou que ele pode acarretar um conflito regional "ainda maior".

Contexto: ataques dos EUA ao Irã e preparativos dos Houthis

Na quinta-feira (16), três fontes da agência Reuters afirmaram que os Houthis estavam de sobreaviso para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos atacassem a infraestrutura de energia iraniana. Isso ocorreu na noite de domingo (19), quando bombardeios dos EUA atingiram vários locais na cidade portuária de Bushehr, no sul do Irã, onde fica a única usina nuclear civil do país, segundo a mídia estatal iraniana Irna. Na segunda-feira (20), o Irã pediu à agência nuclear da ONU que condene os ataques dos EUA, que, segundo o país, tiveram como alvo a usina nuclear de Darkhovin, em construção no sudoeste do país.

Segundo duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte próxima ao movimento iemenita, que falaram sob condição de anonimato, a ideia de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb foi discutida entre a liderança do Irã e representantes do grupo no país. A fonte próxima aos Houthis afirmou que o grupo estava com os preparativos para atacar navios concluídos e que havia implantado mísseis e drones no entorno da passagem. Também contou que representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que já estão no Iêmen, controlariam a decisão sobre quando fechar o estreito.

Impacto no comércio global e alianças regionais

Com o Estreito de Ormuz já fechado, qualquer ataque dos Houthis a embarcações ou portos no Mar Vermelho interromperia simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo do Irã com os Estados Unidos. O Irã considera os Houthis como parte de seu "Eixo da Resistência" regional, uma aliança que também inclui o Hezbollah do Líbano e grupos armados xiitas iraquianos que já se juntaram ao conflito regional entre Teerã e Washington, mas os rebeldes iemenitas ainda não entraram formalmente no conflito.

Os Estados Unidos afirmam que o Irã forneceu armas, financiamento e treinamento aos Houthis. Teerã nega a acusação.

Ameaças anteriores e escalada

Na quinta-feira (16), os Houthis já haviam feito ameaças contra a Arábia Saudita. O líder do grupo no Iêmen, Abdul Malik al-Houthi, disse que todo o petróleo saudita e outras instalações vitais seriam alvos de mísseis e drones do grupo se Riad se envolvesse na guerra entre o Irã e os EUA. Na segunda-feira (13), o grupo também lançou mísseis contra a Arábia Saudita depois de acusar o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle, rompendo uma trégua de quatro anos no conflito entre os dois lados.

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