Famílias buscam desaparecidos em necrotério improvisado na Venezuela
Famílias buscam desaparecidos em necrotério na Venezuela

Famílias venezuelanas enfrentam o desespero de buscar parentes desaparecidos em um necrotério improvisado no porto de La Guaira, após dois terremotos devastarem a região. O local, que antes movimentava cargas, agora abriga corpos em sacos plásticos e urnas funerárias aguardando cremação. Mais de 1.900 mortos foram confirmados, mas milhares de pessoas ainda estão desaparecidas.

Identificação de corpos em meio ao caos

Peritos forenses trabalham ininterruptamente para identificar os corpos dispostos no chão do galpão portuário. Muitas famílias percorrem as fileiras de sacos, em busca de sinais que reconheçam seus entes queridos. "Reconheci ela pelo anel", disse María López, moradora de La Guaira, ao encontrar o corpo da irmã. A falta de estrutura adequada e a quantidade de vítimas sobrecarregam o sistema forense.

Redes sociais como ferramenta de busca

As redes sociais se tornaram um canal crucial para a divulgação de fotos e informações sobre desaparecidos. Grupos no WhatsApp e Telegram são usados para compartilhar características físicas e locais onde as pessoas foram vistas pela última vez. A solidariedade entre os venezuelanos tem sido um ponto de luz em meio à tragédia, com voluntários ajudando na busca e na distribuição de alimentos e água.

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Críticas à resposta do governo

A resposta do governo venezuelano à catástrofe tem sido alvo de críticas. A lentidão na mobilização de equipes de resgate e a falta de comunicação oficial aumentam a angústia das famílias. Organizações internacionais ofereceram ajuda, mas a burocracia e as sanções políticas dificultam a chegada de recursos. "Precisamos de mais apoio, de mais gente cavando os escombros", afirmou um voluntário que preferiu não se identificar.

Impacto dos terremotos em La Guaira

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 6,8, atingiram a região em 27 e 28 de junho de 2026, respectivamente. Além dos mortos, mais de 5 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 50 mil estão desabrigadas. A infraestrutura da cidade foi severamente danificada, com edifícios desabados e estradas bloqueadas. O governo decretou estado de emergência, mas a população reclama da insuficiência das medidas.

Solidariedade em meio à tragédia

Apesar das dificuldades, a solidariedade entre os venezuelanos tem sido notável. Cozinhas comunitárias foram montadas para alimentar os desabrigados, e doações de roupas e medicamentos chegam de diversas partes do país. "Aqui ninguém é estrangeiro, somos todos venezuelanos", disse Carlos Méndez, líder comunitário, enquanto organizava a distribuição de água potável.

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