O avanço da inteligência artificial impulsionou as exportações mexicanas de equipamentos de alta tecnologia para os Estados Unidos, que triplicaram entre janeiro e abril de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. As vendas superaram US$ 50 bilhões (cerca de R$ 254 bilhões), enquanto as importações somaram apenas US$ 2,23 bilhões (R$ 11,3 bilhões), segundo cálculos da AFP com base em dados oficiais. O crescimento ocorre em meio à pressão do presidente Donald Trump para reformular o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) e reduzir o déficit comercial americano.
Setor de IA ultrapassa indústria automobilística
O setor de equipamentos de informática e componentes para inteligência artificial já responde por mais de 30% das exportações mexicanas para os EUA, ultrapassando a indústria automobilística, que durante anos foi a maior beneficiária do T-MEC e hoje é afetada por tarifas impostas por Trump. “É um marco, em grande medida devido à demanda da indústria eletrônica avançada ligada à IA”, afirmou à AFP Diego Flores, responsável pelas indústrias eletrônicas e digitais da Secretaria de Economia do México. O segmento inclui tecnologias como unidades de processamento e equipamentos para centros de dados, que não estão na pauta da rodada de negociações do T-MEC iniciada em 21 de julho na Cidade do México.
Polos exportadores e investimentos
O principal polo exportador é Jalisco, conhecido como o “Vale do Silício mexicano”, que reúne grandes empresas globais e um ecossistema de startups. A taiwanesa Foxconn monta chassis para servidores de IA em Jalisco e é parceira estratégica da fabricante americana de chips Nvidia. Em março, a Foxconn anunciou investimentos de US$ 137 milhões (cerca de R$ 697 milhões) em duas subsidiárias mexicanas, após estimar que sua produção poderá dobrar em 2026. “Estados Unidos e México continuarão sendo nossos principais centros de produção”, afirmou o diretor-executivo Michael Chiang, que anunciou um aumento de 30% nos investimentos em capacidade ligada à IA em comparação com 2025.
Com a explosão da demanda, a Flextronics, outra empresa do setor instalada em Jalisco, precisou usar áreas de estacionamento para expandir sua capacidade de produção, segundo Flores. Os produtos mais procurados incluem chassis que abrigam placas de processamento de IA, essenciais para centros de dados em expansão em estados americanos como Arizona e Texas.
Tensões políticas e riscos protecionistas
O crescimento ocorre em meio a um cenário político incerto. O governo Trump rejeitou a prorrogação do T-MEC por mais 16 anos e decidiu submeter o acordo a revisões anuais. Além disso, insiste que mais produtos sejam fabricados nos EUA, embora continue aumentando a dependência de importações do México, Taiwan e China para impulsionar a IA. Washington também tenta restringir o uso de tecnologia asiática na América do Norte, segundo William Jackson, economista da Capital Economics. “O governo Trump precisa equilibrar a demanda por essas tecnologias com a necessidade de manter o país na vanguarda do desenvolvimento da IA”, afirmou Jackson à AFP. Para ele, “as tarifas poderiam prejudicar esse objetivo”. O desafio de conciliar a preservação de uma indústria em rápida expansão com o discurso protecionista deixa o setor “muito facilmente na linha de fogo”, acrescentou.



