As exportações de bens de capital do Brasil para os Estados Unidos cresceram 12,8% no primeiro semestre, mesmo diante de uma retração geral no comércio bilateral. Os dados são do Icomex, indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), que aponta que o aumento foi puxado pelo comércio intraindústria e intrafirma de multinacionais americanas instaladas no Brasil.
Crescimento contrasta com queda no comércio total
Enquanto as exportações de bens de capital avançaram, o comércio bilateral entre Brasil e EUA como um todo sofreu uma retração. As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump reduziram a participação dos EUA tanto nas exportações quanto nas importações brasileiras. Apesar disso, o semestre encerrou com um superávit comercial de US$ 42,4 bilhões para o Brasil.
De acordo com a FGV, o desempenho positivo dos bens de capital reflete a integração produtiva entre os dois países, com empresas americanas no Brasil exportando máquinas e equipamentos para suas matrizes ou para outras unidades do grupo nos EUA. Esse tipo de comércio é menos suscetível a barreiras tarifárias, pois faz parte de cadeias globais de valor.
Impacto das tarifas de Trump
As medidas protecionistas adotadas pelos EUA nos últimos anos afetaram o fluxo comercial bilateral, reduzindo a participação americana no comércio exterior brasileiro. No entanto, o superávit recorde no período mostra que o Brasil conseguiu compensar as perdas com outros mercados. O Icomex também revela que as exportações totais do Brasil para os EUA caíram 3,5% no primeiro semestre, enquanto as importações de produtos americanos recuaram 5,2%.
“O crescimento das exportações de bens de capital para os EUA é um sinal de que a indústria brasileira mantém competitividade em nichos específicos, especialmente aqueles ligados a multinacionais”, afirma o coordenador do Icomex, em nota. Ele ressalta que o comércio intrafirma tende a ser mais resiliente a choques tarifários.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa é que o comércio de bens de capital continue aquecido, impulsionado pela demanda americana por equipamentos industriais e pela presença de filiais brasileiras de empresas dos EUA. Contudo, a incerteza em relação à política comercial americana e à desaceleração da economia global pode limitar novos avanços. O Icomex da FGV continuará monitorando os dados mensalmente.



