Estrela TOI-5882 devorou planeta e pode engolir anã marrom
Estrela TOI-5882 devorou planeta e pode engolir anã marrom

Uma equipe internacional de astrônomos identificou a estrela TOI-5882, que pode ter engolido um planeta inteiro. A descoberta foi feita a partir da detecção de níveis anormalmente altos de lítio em sua atmosfera, elemento químico mais comum em planetas do que em estrelas. O estudo, publicado em julho de 2026, também revela que uma anã marrom orbitando a estrela, batizada de TOI-5882-b, corre o risco de ser devorada antes do previsto, em um prazo de 25 a 30 milhões de anos.

Evidências do banquete estelar

O lítio é um elemento frágil, facilmente destruído no interior das estrelas. Por isso, sua presença em abundância na superfície de TOI-5882 é um forte indício de que a estrela consumiu um planeta rico nesse elemento. "O excesso de lítio é como uma impressão digital de um planeta que foi engolido", explicou o Dr. Carlos Mendes, astrofísico do Observatório Nacional e coautor do estudo. "Quando um planeta é tragado, ele deposita lítio na camada externa da estrela, onde o elemento pode sobreviver por milhões de anos antes de ser destruído."

A anã marrom ameaçada

TOI-5882-b é uma anã marrom com 22 vezes a massa de Júpiter, um objeto que não é grande o suficiente para iniciar a fusão nuclear como uma estrela, mas muito massivo para ser um planeta. Atualmente, ela orbita a estrela a uma distância segura, mas modelos computacionais indicam que sua órbita está decaindo lentamente. "A anã marrom está em uma espiral de morte em direção à estrela", afirmou a Dra. Ana Luísa Costa, do Instituto de Astronomia da USP. "Em 25 a 30 milhões de anos, ela será despedaçada e engolida, tornando-se o 'prato principal'."

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Implicações para a astronomia

O caso de TOI-5882 conecta áreas distintas da astronomia, como a evolução estelar, a dinâmica orbital e a química de exoplanetas. "Este sistema é um laboratório natural para entender como estrelas podem canibalizar seus próprios planetas", destacou o Dr. Mendes. A descoberta também ajuda a explicar por que algumas estrelas apresentam composições químicas inesperadas, com excesso de elementos pesados. Estima-se que até 30% das estrelas similares ao Sol já tenham engolido pelo menos um planeta ao longo de sua vida. O próximo passo dos pesquisadores é buscar por sinais semelhantes em outras estrelas, usando telescópios como o James Webb para analisar a composição atmosférica de candidatas.

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