Uma análise de DNA revelou que os restos mortais conhecidos como 'Shaman Upton Lovell', encontrados perto de Stonehenge e atribuídos a um homem desde o século XIX, pertencem na verdade a uma mulher. O sepultamento, datado de aproximadamente 4 mil anos, continha ferramentas de metalurgia e objetos cerimoniais, indicando seu alto prestígio na sociedade da Idade do Bronze.
Descoberta desafia visões tradicionais
O esqueleto foi descoberto no século XIX em Upton Lovell, Wiltshire, próximo ao famoso círculo de pedras. Desde então, arqueólogos presumiram que se tratava de um homem devido aos artefatos associados, como martelos e ferramentas de ourivesaria, considerados tipicamente masculinos. No entanto, o exame genético moderno revelou cromossomos XX, confirmando o sexo feminino.
'Esta descoberta é revolucionária', afirmou a arqueóloga Dra. Susan Greaney, da Universidade de Reading. 'Mostra que as mulheres na Idade do Bronze ocupavam papéis de liderança e prestígio, como xamãs ou metalúrgicas, desafiando suposições antigas sobre divisão de gênero.'
Contexto do sepultamento
O túmulo continha mais de 100 itens, incluindo ferramentas de pedra para trabalho em metal, ossos de animais e um colar de âmbar. A riqueza e variedade dos objetos sugerem que a mulher era uma figura importante, possivelmente uma líder espiritual ou artesã especializada. A análise de isótopos também indicou que ela pode ter viajado de longe, talvez da Europa continental, para a região de Stonehenge.
O estudo foi publicado no periódico 'Scientific Reports' e faz parte de um projeto maior que reanalisa sepultamentos antigos com técnicas modernas. 'Muitos esqueletos foram classificados como masculinos apenas com base em contextos culturais', explicou o geneticista Dr. Tom Booth, coautor do estudo. 'O DNA está corrigindo esses vieses históricos.'
Impacto na arqueologia
A reidentificação de gênero de Upton Lovell se soma a outras descobertas recentes, como a da 'Princesa de Egtved' na Dinamarca, que também era uma mulher de alto status na Idade do Bronze. 'Estamos apenas arranhando a superfície', disse Greaney. 'Cada nova análise revela uma sociedade mais complexa do que imaginávamos.'
Stonehenge continua sendo um dos sítios arqueológicos mais estudados do mundo, e esta descoberta adiciona uma nova camada à compreensão das pessoas que o construíram e viveram em seu entorno.



