Copa com 64 seleções pode transformar economia do futebol
Copa com 64 seleções: impacto econômico no futebol

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) estuda a possibilidade de expandir a Copa do Mundo para 64 seleções a partir de 2030, uma medida que pode transformar profundamente a economia do futebol global. A proposta, que ainda está em fase de discussão, prevê um aumento significativo no número de participantes em relação ao formato atual de 48 seleções, que será implementado já em 2026.

Impacto financeiro e receitas adicionais

De acordo com estimativas preliminares da própria FIFA, a expansão para 64 seleções poderia gerar receitas adicionais de até US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) por edição do torneio. Esse valor viria principalmente de direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem defendido publicamente a ideia, argumentando que mais países participantes significam mais mercados consumidores e maior engajamento global.

“A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do planeta, e precisamos continuar crescendo para levar o futebol a todos os cantos do mundo”, afirmou Infantino em entrevista recente. “Mais seleções significam mais paixão, mais histórias e, claro, mais oportunidades econômicas para todos os envolvidos.”

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Preocupações com calendário e qualidade técnica

No entanto, a proposta enfrenta críticas de entidades como a Associação Europeia de Clubes (ECA) e a FIFPro, o sindicato global dos jogadores. O principal argumento é que o aumento no número de partidas sobrecarregaria ainda mais um calendário já apertado, aumentando o risco de lesões e reduzindo a qualidade técnica do espetáculo.

Com 64 seleções, o torneio passaria a ter 128 jogos (contra 104 no formato de 48 equipes), o que exigiria um período de realização de aproximadamente 45 dias, contra os atuais 32 dias. Isso geraria conflitos diretos com as ligas nacionais e competições continentais, como a Champions League.

“Os jogadores não são máquinas. Precisamos de períodos de descanso adequados para garantir a saúde e a performance em alto nível”, declarou um porta-voz da FIFPro. “A expansão descontrolada pode comprometer o produto que torna a Copa do Mundo tão especial.”

Distribuição de vagas e representatividade

Outro ponto em debate é a distribuição das vagas adicionais entre as confederações. No modelo atual de 48 seleções, a América do Sul tem 6 vagas, a Europa 16, a África 9, a Ásia 8, a Concacaf (Américas do Norte, Central e Caribe) 6, e a Oceania 1, além de 2 vagas em repescagem. Com 64 seleções, a FIFA teria que redefinir esses números, o que promete gerar intensas negociações políticas.

Países como Brasil e Argentina, que tradicionalmente defendem a manutenção do equilíbrio competitivo, já sinalizaram cautela. “A Copa do Mundo não pode perder sua essência de ser o torneio das melhores seleções do mundo”, disse um dirigente da CBF sob condição de anonimato. “Precisamos avaliar se a expansão não vai diluir a qualidade técnica.”

Impacto nos países-sede e na infraestrutura

A realização de uma Copa com 64 seleções também exigiria uma infraestrutura muito maior dos países-sede. Seriam necessários pelo menos 16 estádios com capacidade superior a 40 mil espectadores, além de uma ampla rede de transporte e hospedagem. Isso pode inviabilizar candidaturas de países menores e concentrar o evento em nações com grande capacidade econômica, como Estados Unidos, China ou Alemanha.

Por outro lado, a FIFA argumenta que o formato traria benefícios econômicos significativos para as economias locais, com geração de empregos temporários e aumento do turismo. Estudos encomendados pela entidade indicam que o impacto econômico total de uma Copa do Mundo pode chegar a US$ 20 bilhões para o país anfitrião.

Próximos passos e decisão final

A decisão sobre a expansão para 64 seleções deve ser tomada no Congresso da FIFA em 2028, mas a entidade já iniciou consultas com as confederações continentais, clubes e ligas. Até lá, estudos de viabilidade serão realizados para avaliar os impactos esportivos, financeiros e logísticos.

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Enquanto isso, a preparação para a Copa de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, segue em ritmo acelerado. Será a primeira edição com 48 seleções e servirá como um teste para avaliar a viabilidade de novas expansões no futuro.