Copa 2026: primeira com 48 seleções deixa legado cultural e geopolítico
Copa 2026: legado cultural e geopolítico da primeira edição com 48 seleções

A Copa do Mundo de 2026, a primeira na história a contar com 48 seleções, encerra-se neste domingo deixando um rastro de impactos culturais e geopolíticos que vão além dos gramados. O torneio, sediado em três países, ampliou o alcance de seleções menores e trouxe à tona manifestações políticas e culturais inéditas.

Momentos icônicos marcam a competição

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu no Estádio de Guadalajara, em Zapopan, quando o torcedor da República Democrática do Congo Michel Kuka Mboladinga prestou homenagem ao ex-primeiro-ministro congolês Patrice Lumumba ao permanecer imóvel antes da partida contra a Colômbia, pelo Grupo K, em 23 de junho de 2026. A cena, capturada pelo fotógrafo Ulises Ruiz da AFP, simbolizou a interseção entre futebol e memória histórica.

Outro momento de destaque foi a coreografia viking apresentada por torcedores islandeses, que viralizou nas redes sociais e reforçou a identidade cultural nórdica dentro do evento. Além disso, recordes de público e audiência foram registrados, com destaque para a participação de seleções estreantes, como a própria República Democrática do Congo e a Islândia.

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Expansão geopolítica e desafios

A ampliação para 48 seleções, decidida pela Fifa em 2017, teve como objetivo democratizar o acesso ao torneio, mas também gerou críticas. Para muitos analistas, o aumento do número de jogos resultou em partidas mais monótonas e em uma diluição da qualidade técnica. No entanto, a medida permitiu que países historicamente excluídos tivessem a chance de competir no palco global.

Segundo especialistas ouvidos pela coluna, a Copa de 2026 reforçou a importância do futebol como ferramenta de soft power. Países como Marrocos e Arábia Saudita, que sediarão edições futuras, usaram o torneio para projetar influência. A presença de seleções africanas e asiáticas em maior número também evidenciou o deslocamento do eixo do futebol mundial, antes centrado na Europa e América do Sul.

Legado cultural e futuro do torneio

Além dos aspectos políticos, a Copa de 2026 deixou um legado cultural significativo. Músicas típicas, danças e rituais de diferentes nações foram incorporados à atmosfera dos estádios, criando um mosaico de tradições. A torcida congolesa, por exemplo, trouxe tambores e cantos que ecoaram as raízes africanas, enquanto os sul-coreanos exibiram coreografias sincronizadas que mesclaram pop e folclore.

O torneio também foi palco de debates sobre direitos humanos, especialmente em relação aos países anfitriões. Protestos silenciosos, como o de Mboladinga, e faixas contra a homofobia e o racismo marcaram presença, mostrando que o futebol continua sendo um espaço de resistência e reivindicação.

Com o fim da Copa de 2026, as atenções se voltam para 2030, que será sediado por Marrocos, Portugal e Espanha, e para 2034, na Arábia Saudita. A expansão para 48 seleções parece ter vindo para ficar, e os debates sobre seus efeitos no esporte e na sociedade devem continuar nos próximos anos.

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