A Copa do Mundo FIFA 2026, que termina no próximo domingo (19), pode ter representado o primeiro grande teste para defesas antidrones em larga escala nos Estados Unidos. Na última segunda-feira, a Administração de Segurança no Transporte (TSA) revelou que 600 veículos aéreos não tripulados foram apreendidos desde o início da competição, em 11 de junho.
Drones apreendidos por cidade
Segundo reportagens de agências de notícias, 98 drones foram capturados em Miami, 77 em Atlanta, 48 em Los Angeles, 29 em Seattle, 63 em Dallas, 40 em Nova York, 33 em Houston e 32 em Kansas City.
As regras de bloqueio temporário foram impostas pela Administração Federal de Aviação (FAA) ao redor de estádios e em locais relacionados para assistir aos jogos, como as Fan Fests. As restrições de voo se aplicam três horas antes e depois de um jogo agendado e as infrações podem resultar em multas civis de até US$ 75 mil e multas criminais de até US$ 100 mil.
Comparação com o Super Bowl
Os Estados Unidos sediaram uma Copa do Mundo em 1994, com 52 partidas em nove cidades ao longo de 31 dias, mas naquela época não havia drones. Competições mais recentes, como o Super Bowl, já mostraram a necessidade de elevar as medidas de segurança aérea, mas numa dimensão bem menor. A Copa do Mundo envolve 11 áreas metropolitanas ao longo de 39 dias, com algumas partidas acontecendo ao mesmo tempo. Já o Super Bowl envolve apenas uma cidade. Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Copa, descreveu o desafio como “78 Super Bowls em 39 dias”.
Alexei Hoffman, pesquisador associado do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), descreveu o desafio em artigo recente do think tank. “Os estádios são apenas parte do mapa: as zonas de exclusão aérea se estendem por cinco quilômetros e meio ao redor de cada arena e sobem até 3 mil pés; anéis menores, a cerca de 1,6 quilômetro e com 1 mil pés de altura, cobrem os festivais de torcedores; e hotéis das equipes, centros de treinamento e bases de apoio têm suas próprias restrições”, listou.
Ameaça principal: imprudência
Hoffman destacou que a ameaça mais provável durante a Copa do Mundo não foi propriamente um atacante sofisticado, mas a imprudência: são amadores em busca de fotos e vídeos e não adversários em busca de alvos. Essa prática só tem crescido. O pesquisador lembra que estádios da NFL registraram apenas cerca de uma dúzia de incursões de drones na temporada de 2017, mas que, em 2023, a liga já havia contabilizado 2.845 incidentes.
Capturar em vez de derrubar
Para os EUA, derrubar drones não é algo novo, uma vez que essa habilidade foi desenvolvida nos campos de batalha dos desertos do Oriente Médio, nos oceanos abertos do Pacífico e ao longo da fronteira sul. Há também todo um aprendizado de três anos observando o uso de drones na guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
No entanto, há diferenças a serem pontuadas. Em um campo de batalha, um drone pode ser abatido com pouca preocupação sobre o que está abaixo, mas sobre um estádio lotado, qualquer ação cinética — um projétil, um interceptor ou o próprio drone — corre o risco de fazer chover destroços sobre a multidão. Isso, segundo o pesquisador, cria uma forte preferência por capturar o drone em vez de destruí-lo.
Legado para a segurança antidrones
Acredita-se que o verdadeiro valor do esquema implantado na Copa do Mundo é servir como acelerador desse tipo de defesa aérea. O major-general Gent Welsh, que comanda a Guarda Nacional do Exército e da Aeronáutica do estado de Washington, avalia a ameaça dos drones como algo com que o país viverá “pelo resto de nossas vidas”.



