A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, cortou sua recomendação para bolsas emergentes, mas fez questão de citar o Brasil como um dos poucos mercados com 'megaforças' que ainda justificam exposição. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (2), a gestora reduziu a alocação para emergentes de 'neutra' para 'underweight', citando riscos de desaceleração global e alta de juros nos Estados Unidos.
Megaforças brasileiras no radar
Apesar da cautela geral, a BlackRock destacou que o Brasil possui empresas expostas a tendências estruturais de longo prazo, batizadas de 'megaforças'. Entre elas, estão inovação tecnológica, transição energética e digitalização. 'O Brasil não é um mercado homogêneo. Há setores que se beneficiam de megaforças globais, como energia limpa e infraestrutura digital', afirmou o relatório, assinado pela equipe de estratégia global da gestora.
A gestora citou especificamente o potencial de empresas brasileiras ligadas a data centers, energia renovável e agronegócio sustentável. 'Esses segmentos têm demanda estrutural e podem gerar retornos acima da média mesmo em um cenário de juros elevados', completou o documento.
Fluxo estrangeiro e desempenho da B3
Os estrangeiros trouxeram R$ 33,8 bilhões para a B3 no primeiro semestre de 2025, mas junho registrou saída líquida de R$ 7,8 bilhões, segundo dados da bolsa. A BlackRock reconheceu que o fluxo recente reflete a cautela com emergentes, mas afirmou que o Brasil ainda atrai capital de longo prazo por sua diversificação setorial.
'O Brasil é uma das estrelas da renda fixa global, com juros reais altos, e também tem ações de qualidade em setores expostos a megaforças', diz o relatório. A gestora mantém posição overweight (acima da média) em renda fixa brasileira, especialmente títulos indexados à inflação.
Impacto para investidores
Para o investidor local, a sinalização da BlackRock sugere que a B3 pode continuar volátil no curto prazo, mas oferece oportunidades seletivas. 'O momento exige escolher bem os setores. Empresas de tecnologia, energia limpa e infraestrutura digital são as que mais se alinham às megaforças', orienta o analista de investimentos Carlos Andrade, da XP Investimentos.
A gestora também destacou que o Brasil se beneficia da demanda global por commodities agrícolas e minerais críticos para a transição energética. 'O país tem vantagens comparativas claras nesses segmentos', conclui o relatório.



