As exportações de carne bovina da Austrália para a China enfrentarão uma tarifa adicional de 55% a partir deste fim de semana, após atingirem o limite da cota anual estabelecida por Pequim. A medida pode afetar os fluxos comerciais e levar os produtores a buscar novos mercados para a carne vermelha.
Cota anual e tarifa adicional
Em dezembro, o governo chinês impôs uma cota de 205 mil toneladas às importações de carne bovina da Austrália, como parte de uma série de restrições comerciais aplicadas aos principais países produtores de carne vermelha — incluindo Brasil e Argentina — em um esforço para proteger os pecuaristas locais. Os embarques atingiram esse patamar na quinta-feira – antes mesmo da metade do ano – e a tarifa adicional, que se somará aos impostos já existentes, entrará em vigor em 20 de junho, informou o Ministério do Comércio da China em comunicado na sexta-feira.
Crescimento das exportações australianas
As exportações de carne bovina australiana para a China têm crescido de forma constante nos últimos anos, ultrapassando 300 mil toneladas em 2025 e atingindo o maior nível em seis anos. Esse aumento foi impulsionado tanto pelo consumo crescente na China quanto pela forte produção na Austrália, que alcançou um recorde em 2025. A China é a maior importadora de carne bovina do mundo.
Pressão diplomática e busca por novos mercados
O governo australiano tem pressionado Pequim para suspender a cota, mas não há sinais claros de que o limite será removido. Produtores de carne bovina e analistas comerciais da Austrália mostram-se cautelosamente otimistas quanto à possibilidade de encontrar novos mercados para as exportações, visto que o rebanho dos EUA está em seu menor nível em décadas e a demanda por carne vermelha permanece forte em toda a Ásia.
Situação do Brasil
O Brasil também pode atingir sua cota de embarques para a China antes da metade do ano, conforme noticiou a Bloomberg no mês passado.



