Obama inaugura centro presidencial em Chicago com festa e celebridades
Obama inaugura centro presidencial em Chicago com festa

Todos os ex-presidentes vivos dos Estados Unidos e um grande número de artistas e celebridades prestigiaram Barack Obama na quinta-feira (18/06) na inauguração de seu ambicioso museu em Chicago. O Centro Presidencial Obama, localizado no sul de Chicago, é um extenso complexo de 7,8 hectares que presta homenagem ao primeiro presidente negro dos Estados Unidos e que combina uma proposta arquitetônica moderna com natureza, arte e história.

Evento histórico com lideranças mundiais

O evento, que reuniu uma grande multidão e durou mais de três horas, contou com a presença de diversas autoridades e líderes internacionais, entre eles a ex-chanceler da Alemanha Angela Merkel e o ex-primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau — que governaram seus países durante o mandato de Obama —, além de várias celebridades. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem Obama mantém desavenças, não foi convidado para a inauguração.

O novo Centro Presidencial, cujo custo foi de US$ 850 milhões, é considerado "o maior investimento individual em um século para essa parte de Chicago", segundo informou a agência Reuters. Seu elevado custo, o formato de sua torre principal e a potencial gentrificação que pode representar para os bairros vizinhos têm gerado críticas.

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Símbolo de um legado

Tradicionalmente, os presidentes dos Estados Unidos inauguram bibliotecas após finalizar seus mandatos. Algumas servem como arquivos de documentos e objetos-chave de seu governo, enquanto outras têm ambições maiores e funcionam como museus e centros culturais. "Isto não é um monumento aos Obama, senhores, é uma homenagem a todos aqueles que tornam possível sua trajetória", disse Valerie Jarrett, ex-assessora e diretora executiva da Fundação Obama, em seu discurso de abertura.

O ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama celebraram o complexo urbano que funciona como uma homenagem aos oito anos que o casal passou na Casa Branca. O complexo combina elementos de museu e sala de leitura com serviços de centro comunitário, como parque infantil, quadra de basquete, estúdio de gravação e biblioteca pública.

O casal escolheu o bairro Jackson Park, no sul de Chicago, perto de onde ficava sua residência familiar antes de se mudar para o gabinete presidencial em Washington. "Para mim, este centro não poderia estar em outro lugar", disse Obama aos visitantes durante a cerimônia de inauguração. "É uma demonstração de gratidão, um reconhecimento de que grande parte do que mais valorizo devo às pessoas desta cidade e às pessoas destes bairros vizinhos".

Obama, que foi o 44º presidente dos EUA entre 2009 e 2017, afirmou que o centro se baseia no desejo de que os membros da comunidade e os visitantes possam se unir e criar a mudança que buscam. Por isso, disse, não foi projetado como um "mausoléu sem vida". "Queríamos que fosse uma celebração vibrante e viva da comunidade. Um lugar onde possamos aprender juntos e compartilhar a alegria da arte, da música, do esporte e do lazer", disse.

Homenagens emocionantes

O discurso de Michelle Obama levou seu marido às lágrimas quando ela elogiou suas conquistas pessoais e profissionais, assim como seu inabalável otimismo e resiliência. "Queremos que venham aqui, deixem de lado seus telefones, conversem, riam e chorem. Façam novos amigos, sujem as mãos no jardim, coloquem seu bebê em um balanço na área de recreação, desfrutem de um piquenique romântico", disse a ex-primeira-dama. "Porque essa é a essência da democracia: ser bons vizinhos, cuidar dos espaços públicos. Como podemos desfrutar da companhia mútua, libertando-nos do isolamento e da divisão que se infiltraram demais em nossas vidas?", questionou.

Admirado e criticado

Além das críticas geradas pelo alto custo da construção do Centro Presidencial Obama, cujos fundos foram arrecadados de forma privada por meio da Fundação Obama, a torre de oito andares e de forma irregular que se destaca na fachada gerou opiniões divergentes. Para alguns, a estrutura revestida de granito e adornada com um trecho do discurso favorito de Obama, pronunciado em Selma, Alabama, no 50º aniversário da marcha pelos direitos civis, não é uma boa escolha. Inclusive, já foi apelidada de "Obamalisco".

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Segundo a Reuters, a professora de arquitetura da Escola do Instituto de Arte de Chicago, T. Camille Martin-Thomsen, disse: "Parece realmente impactante, grandiosa e bela no melhor sentido possível". E acrescentou que entende que, para algumas pessoas, a altura e a escala do museu possam parecer chocantes no início, mas que acredita que, com o tempo, a maioria passará a apreciar o design audacioso.

Mas a maior polêmica ocorreu entre as comunidades que vivem nos bairros próximos ao Centro Presidencial Obama. Alguns cidadãos argumentam que o aumento dos preços das moradias e o interesse de investidores são uma amostra da gentrificação que enfrentam. Segundo noticiou a imprensa local, Shannon Bennett, diretora executiva da Organização Comunitária Kenwood Oakland, disse que a especulação imobiliária na área deve ser evitada. "É a mesma coisa que sempre acontece com a nossa comunidade. Se não estamos presentes, somos um alvo fácil, e isso é um problema", afirmou.

Para outros, no entanto, o centro oferece potencial crescimento econômico ao atrair visitantes e impulsionar o desenvolvimento de áreas que estavam atrasadas. Os organizadores declararam que esperam que o Centro Presidencial Obama, cuja maior parte estará aberta ao público de forma gratuita, atraia entre 750 mil e 1 milhão de visitantes por ano.

Celebração musical

A inauguração também incluiu apresentações de diversos artistas, como Jennifer Hudson, Christina Aguilera, John Legend, Common, Marc Anthony, Bono e The Edge, do U2, além de Bruce Springsteen e Stevie Wonder. A lenda do rock e herói local Eddie Vedder, líder do Pearl Jam, natural de Illinois, interpretou uma canção original que compôs com jovens do programa Guitars Over Guns. Os participantes expressaram sua gratidão aos Obama por construírem o centro no sul de Chicago.